quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Pixe chega as praias do Ceará


Óleo em praias do Ceará terá origem investigada por órgãos competentes

Manchas pretas surgidas no litoral cearense, no início deste mês, começam a ser observadas com mais frequência em diversas praias do Estado. Para discutir o assunto, o titular da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), Artur Bruno, se reuniu na manhã desta quarta-feira (25), em seu gabinete, com técnicos de diversos órgãos públicos e do terceiro setor. A origem dos poluentes ainda não foi detectada, mas está sendo investigada. “Ninguém sabe de onde vem e nem via satélite conseguiu enxergar”, disse analista ambiental Miller Holanda, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Segundo o analista, o “óleo” já foi detectado em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará. Aqui “já se tem notícias” que a poluição foi avistada em Paracuru, Aquiraz, Cumbuco, Trairi, São Gonçalo do Amarante e Fortaleza. Independente do número de localidades que apresentam manchas, o representante do Ibama afirmou que 100% dos municípios do litoral serão visitados. “Até mesmo para deixar orientações básicas”, esclareceu. Será uma ação integrada e multidisciplinar com participação de vários órgãos e entidades.

A equipe Ibama/CE já está em campo. O problema está sendo monitorado desde semana passada. “Estamos articulados com a Diretoria de Defesa Ambiental, em Brasília, e com os demais estados envolvidos, elaborando um plano de ação”, disse. “É um plano de resposta ao acidente ambiental”, explicou. O plano já está sendo elaborado desde semana passada. Estabelece diretrizes, obrigações e pode variar de ações simples, ou até mesmo a entrada de “empresas respostas”, aquelas contratadas para atender casos mais graves de acidentes ambientais.

A poluição já está começando a impactar a fauna. Alice Feitosa, do Instituto Verdeluz, informou que socorreu quatro tartarugas. “Encontramos substrato negro”, disse. A necrópsia de uma tartaruga comprovou que ela morreu asfixiada devido ao óleo encontrado nos pulmões. Uma ave marinha também foi encontrada no Cumbuco e uma outra tartaruga em Jericoacoara. O odor do material é característico ao asfalto, petróleo. A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) está disponibilizando viaturas para coletar e receber animais oleados e encaminhar para a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) para identificar e estabilizar os mesmos.

Alguns materiais estão sendo analisados nos laboratórios da Unifor e do Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec). Mas a Semace e Ibama vão coletar materiais e juntos trabalhar na busca de um diagnóstico referente aos poluentes. “Estamos planejando utilizar o helicóptero da Semace e fazer um sobrevoo, esta semana”, informou Carlos Alberto Mendes, da Semace. “Vamos usar ainda dois drones para investigar a questão no litoral mais próximo da praia”, encerra. Serão coletados materiais (do solo e da água) de todos os municípios litorâneos.

Ao final da reunião, o secretário Artur Bruno informou que toda a operação e informações serão centralizadas no Ibama/CE, com o apoio total da SEMA, Semace e demais órgãos. “Institucionalmente, o Ibama vai coordenar o processo e acionando os parceiros sempre que precisar”, disse Bruno. Também ficou encaminhado que o BPMA e BPTUR serão capacitados pelo Instituto Verdeluz sobre a questão do atendimento ao socorro dos animais afetados pelos poluentes.
Também participaram da reunião, Ana Maria Maia, Gustavo Gurgel e Alberto Perdigão, da Semace; João César Pinheiro, da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec); Leonardo Almeida Borralho, Dóris Day Santos, Pedro Vitor Moreira Cunha, Andrea Moreira, André Luiz Pereira e Wersângela Cunha, da SEMA; Luiz Gerson Lima Junior, da Unifor; Vitor Luz Carvalho, Gabriela Ramires e Cristine Negrão, da Aquasis e Alice Frota Feitosa, do Instituto Verdeluz.

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