sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cid sai e acaba do PSB no Ceará


Sem surpresas, Cid Gomes confirma saída do PSB
Mais uma vez, o governador Cid Gomes (PSB) frustrou as expectativas do cenário político e não confirmou para qual partido encaminhará seu grupo. Contundente, o governador adiantou apenas que ele e seus aliados seguem unidos, agora fora do PSB. O destino, porém, começa a ser discutido, hoje, quando será marcada uma reunião com a executiva nacional do PDT. O resultado final destas conversas, segundo disse, será anunciado, na próxima terça-feira, durante nova reunião, no Hotel Marina Park, a partir das 19 horas.
Além do PDT, conforme ressaltou, sábado agendará uma reunião com representantes do PROS, partido recém-aprovado pela Justiça Eleitoral, e sequencialmente, com os presidentes nacionais do PCdoB, Renato Rabelo, PSD, Gilberto Kassab, e PP, Ciro Nogueira. Os dirigentes, segundo Cid Gomes, manifestaram interesse em abrigar seu grupo político.
Cid Gomes afirmou, ainda, que procurará observar o máximo de garantias, buscando o partido que oferece mais segurança jurídica para o bloco de, aproximadamente, 250 dissidentes do PSB Ceará. O presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, assumiu o compromisso de assinar uma declaração de que a saída coletiva do PSB, no Ceará, não representa um ato de infidelidade partidária, mas decorre da mudança de visão do partido e que o grupo não concorda.
O governador comentou, ainda, que os próximos dias serão de “pura emoção”, pois o prazo é curto e alguns assuntos precisam ser adiantados. “Só digo que a decisão será tomada em coletivo, para aonde um for, todos irão”, repetiu. Contudo, admitiu que o conjunto detém algumas preocupações, entre elas a ideologia defendida pelo partido escolhido.
Em entrevista ao jornal O Estado, no entanto, algumas lideranças sinalizaram que estão prontas para seguir com o PROS. Pouco antes da reunião, que definiu a saída do grupo, Cid afirmou que, se depender de Ivo Gomes, seu irmão e secretário da Educação do Município, o grupo embarcaria, no PDT, sigla de um ferrenho opositor dos Ferreira Gomes, Heitor Férrer, mas também com aliados importantes como a deputada Patrícia Sabóya e o presidente estadual, André Figueiredo. Ao final, Cid destacou que, hoje, conversará, com a presidente, Dilma Rousseff, onde comunicará oficialmente o seu desligamento da sigla socialista.

“SEM APEGO”
O ministro Leônidas Cristino, dos Portos,  aproveitou a ocasião para informar que entregará o cargo, na próxima semana, apesar de alguns assessores ligados diretamente à presidente sinalizarem que ele poderia ficar na Pasta, independentemente de continuar ou não no PSB. “Vou entregar o cargo. Meu compromisso agora é com a estruturação do novo grupo para as próximas eleições”, argumentou, acrescentando que “minha missão eu cumpri”.

Cid, por sua vez, durante uma breve pausa na reunião, já havia sinalizado sobre o assunto. Conforme afirmou, Dilma Rousseff ligou para ele e insistiu na permanência de Leônidas Cristino, o que foi negado. Segundo ele, o pedido não é possível, justificando que o problema não é manutenção de cargos. “Não quero participação nenhuma nos ministérios. Para mim é importante dar essa demonstração de que não tenho apego a cargos. Nossa posição é pensando no Brasil, no Ceará. Não estou atrás de um osso para roer”, alfinetou, acrescentando que não deseja participação no Governo Federal. A declaração contrapõe os boatos, em Brasília, de que existe um cargo no 1o escalão do governo Dilma, caso seja reeleita, reservado para ele.
SEM REPRESENTATIVIDADE
Diante do esvaziamento da legenda, o vereador Elpídio Nogueira apontou que o partido ficará sem representatividade legislativa, no Estado, contando apenas com a deputada Eliane Novais, integrante da ala que é oposição a Cid dentro do PSB.

Conforme o presidente do PSB Fortaleza, Karlo Kardoso, praticamente todo o diretório está pronto para sair do partido. “100% do diretório irá se desfiliar, de acordo com a leitura que fazemos. O PSB tinha um compromisso. O País vem trilhando um caminho, mas o PSB nacional vem fazendo um caminho inverso, devido a isso fica em dissonância com o projeto anteriormente defendido”, explicou. 
Kardoso criticou ainda a postura do PSB na sua tentativa de cooptar forças contrárias ao diretório estadual. A reclamação é uma referência à aproximação da legenda socialista com Lúcio Alcântara (PR), Roberto Pessoa (PR), Luizianne Lins (PT) e Heitor Férrer (PDT).
Ciro Gomes responde provocação de Campos
• O ex-ministro  Ciro Gomes comentou diretamente as declarações do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, que o acusou de não saber perder a disputa política. Ciro não poupou as críticas.
“Eu sei perder. Já perdi, inclusive, uma delas, ele me tirou o tapete na eleição de 2010. Ele vendeu minha cabeça em troca de coisas para Pernambuco e eu aguentei. Ele não fez nenhuma disputa, nem nada, simplesmente mandou um tiro nas costas do Cid. Ou não foi o que aconteceu?”, disse.
Ainda sobre o assunto, Ciro disse que Campos faltou com a verdade. “Que dia houve a disputa política, que horas foi e qual foi o assunto, ele estaria dizendo um pouquinho de verdade. Agora, ele virou mentiroso também. Nem um telefonema aconteceu”, disse, afirmando não ter quebrado nenhuma “diretriz programática” do partido.
Laura Raquel
laura@oestadoce.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Editorial do Estadão

Linha vermelha O ministro da Educação, Abraham Weintraub, tem de ser demitido. Sua errática gestão já seria razão suficiente, ma...