sábado, 28 de abril de 2018

Opinião

Bateu o desespero: Moro e mídia jogam tudo na delação de Palocci contra Lula

Sem conseguir até agora provar a ligação dos processos contra Lula com a corrupção na Petrobras, e como Guarujá e Atibaia não ficam no Paraná, o juiz Sergio Moro e seus aliados na mídia agora jogam tudo na delação do ex-ministro Antonio Palocci, homem forte dos governos do PT.
Bateu o desespero na força-tarefa da Lava Jato em Curitiba para não perder o controle dos processos.
Por isso, resolveu peitar o Supremo Tribunal Federal, que na semana passada determinou a remessa de parte dos autos com as delações da Odebrecht para a Justiça Federal em São Paulo.
Sergio Moro, por enquanto, resiste a cumprir a ordem.
Durante dois anos, Palocci tentou fazer a delação com Ministério Público Federal em Curitiba, ameaçando denunciar também bancos e empresas de mídia, mas os procuradores se recusaram a aceitar o acordo por falta de provas.
Como só denúncias contra Lula interessavam à Lava Jato, quem passou a fazer o serviço, foi a Polícia Federal, que a toque de caixa concluiu esta semana o acordo da delação de Palocci.
Segundo o jornal O Globo, o acordo já estaria em fase de homologação por Sergio Moro, “o que deve acontecer em até duas semanas”.
Agora é uma corrida contra o tempo: Moro quer usar a delação de Palocci antes da publicação do acórdão da decisão da 2ª Turma do STF, que está nas mãos do ministro Dias Toffoli.
Palocci já foi condenado a mais de 12 anos de prisão, a mesma pena de Lula, e agora está negociando as bases dos benefícios que terá para delatar o ex-presidente e ficar menos tempo na cadeia.
De acordo com a Folha, “uma das ações possivelmente afetadas pela decisão do STF de retirar das mãos do juiz Sergio Moro partes da delação da Odebrecht, o processo sobre a compra de um terreno para o Instituto Lula contém depoimentos que não relacionam essa negociação diretamente com ilegalidades na Petrobras”.
O principal objetivo da Lava Jato, porém, já foi atingido.
Lula está confinado numa cela solitária em Curitiba há quase três semanas, impedido de receber visitas até do médico, mas a decisão do STF da semana passada pode retirar de Moro não só os processos ainda pendentes, mas também reabrir o caso do triplex do Guarujá.
Decisão tomada pelo ministro relator Edson Fachin concentrou os processos do chamado “Petrolão” em Curitiba, para os acusados sem foro privilegiado, porque a investigação começou lá com a prisão de Alberto Yosseff e outros doleiros.
Provar que Lula teria recebido propina da Odebrecht e da OAS em troca de contratos na Petrobras continua sendo o grande desafio de Moro e da Lava Jato para manter os processos contra o ex-presidente em Curitiba e justificar sua prisão.
Com Lula fora de combate, embora ainda lidere todas as pesquisas, abre-se uma avenida para o establishment lançar um candidato competitivo nas eleições de outubro, caminho que começa a ser ocupado por Joaquim Barbosa, o ex-presidente do STF que abriu a temporada de caça ao PT no julgamento do mensalão.
Estava tudo saindo nos conformes, quando o Supremo Tribunal Federal abriu a divergência, e começou a questionar a competência de Sergio Moro para julgar Lula no Paraná por fatos investigados no Guarujá, em Atibaia e São Paulo, onde ficam as propriedades atribuídas a Lula, mas que não estão em nome dele.
Com o STF rachado ao meio e o Judiciário assumindo o papel de protagonista da campanha eleitoral, muita água suja ainda vai rolar por baixo da ponte para o futuro nestes cinco meses e pouco que faltam para a abertura das urnas.
Vida que segue.

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