terça-feira, 13 de março de 2018

Pra ver o que foi dito

Coluna do Macário Batista para o dia 16 de maio de 2017 (16.05.2017)

  Em maio do ano passado, em Paris, estive com o embaixador Seixas da Costa, um amigo querido e um observador atento da vida diplomática mundial. Pedi um comentário sobre Macron. Seixas mandou e publiquei na coluna. Passado quase um ano do artigo já dá pra avaliar o que ocorreu de lá pra cá sobre um França européia sob Macron. E com apoio de Merkel. Leia, por favor e compare.
Encontro parisiense
Aqui em Paris (6 graus), encontro pra alegria da gente, com o estimado Francisco Seixas da Costa, o embaixador que serviu na França e no Brasil, pra encurtar conversa. De papo peço-lhe algo sobre Macron, a eleição do presidente francês. Seixas da Costa enviou este presente: “De trincheira em trincheira - Em 2000, a Europa chocou-se com a ascensão minoritária ao poder, na Áustria, de um partido de extrema-direita. Viena foi posta de “quarentena” e o episódio parecia ter funcionado como uma vacina para garantir que essa sombra negra não mais regressaria. Dois anos mais tarde, Jean-Marie Le Pen, o negacionista desculpabilizador do colaboracionismo, chegou à segunda volta presidencial em França. A “frente republicana” ergueu-se, chocada, e votou Chirac. A Europa regressou ao “business as usual”.Ontem, um candidato atípico, com o pé e a gravata dentro do sistema, mas contestando os representantes tradicionais deste, derrotou um “remake” edulcorado do pai Le Pen, em quem bem mais do que um em cada três franceses já hoje confiam.Vamos recuando, de vitória em vitória, até à trincheira da derrota final? Ou alguém tem dúvidas de que, se tudo continuar na mesma, a agenda populista mantem todas as condições para crescer, tendo mesmo como farol os EUA, onde uma política de extrema-direita (não tenhamos medo às palavras) faz o seu imperial caminho? Derrotar Le Pen ou Wilders, travar o AfD e fazer frente a Orbán, contestar Trump ou denunciar o primarismo por detrás do Brexit, tudo são passos necessários mas insuficientes. Se a Europa - porque as respostas ou são europeias ou não serão verdadeiras soluções – não for capaz de apaziguar o mal-estar das pessoas, acalmar os seus medos, atenuar as suas múltiplas inseguranças, gerando confiança no futuro e nas lideranças de turno, daqui a meses regressaremos a uma nova trincheira. Será Macron capaz de impulsionar diferentes políticas europeias? Mas que autoridade externa pode vir a ter alguém que passa a liderar um país em evidente perda de velocidade competitiva, um dos “doentes” mais notórios da Europa, atravessado gravemente pela “malaise” que aduba os extremismos, de esquerda ou de direita? Até que ponto Angela Merkel estará disposta, na iminência do abismo europeu, a ajudar a França a com ela pilotar soluções diferentes para o futuro imediato?Dentro de seis semanas, ver-se-á com que maioria parlamentar Emmanuel Macron poderá vir a governar. Se o seu movimento “En marche” não vier a ter um espetacular e pouco provável sucesso maioritário no sufrágio, terá que constituir uma coligação heteróclita que dificultará a colocação em prática do seu programa. Na oposição, terá um Front National que tem condições de sair desse mesmo sufrágio como o maior partido de França e uma esquerda que pode vir a ter mais força nas ruas do que no parlamento.Macron terá assim meses difíceis à sua frente. Por um lado, procurará potenciar as hipóteses do “En Marche”, dramatizando a crise de governabilidade que pode aí vir. Contudo, terá de fazê-lo não hostilizando demasiado o “Les Republicains” de Sarkozy, bem como alguma esquerda mais moderada, de cuja boa vontade pode vir a necessitar para não ficar refém exclusivo da direita. É um caminho muito estreito que não se pode excluir que venha a conduzir, no fim de contas, a uma maioria pouco coerente, titulada por um primeiro ministro que, dependendo do sentido ideológico prevalecente, poderia ser (da direita para a esquerda) François Baroin, François Bayrou ou Gérard Collomb.Mas tudo isto não passa de especulações de um analista que só tem uma certeza: um fracasso de Macron e uma crise política em França, a curto prazo, seria uma péssima notícia para a Europa. E, claro, para Portugal.
Temer recebe o presidente do Senado, Eunício Oliveira; Camilo Santana, governador do Ceará (dir.); e o desembargador Francisco Gladyson Pontes Temer recebe o presidente do Senado, Eunício Oliveira; Camilo Santana, gover... - Veja mais em https://eleicoes.uol.com.br/2018/noticias/agencia-estado/2018/03/11/governado-pelo-pt-ceara-vira-exemplo-de-controle-fiscal.htm?cmpid=copiaecola

2 comentários:

  1. Amigo Macário. Bela lembrança! Um forte abraço e votos de reencontro breve, talvez nesta bela Lisboa

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  2. Tão logo volte a Lisboa procurarei o amigo para dois dedos de prosa.
    Carinhoso abraço.

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