quinta-feira, 13 de julho de 2017

Opinião

País da insegurança

O informativo Nota Econômica do mês de julho de 2017 da Confederação Nacional da Indústria traz uma pesquisa que se refere a insegurança nas regiões do País. Segundo dados sobre a região Nordeste, 4 a cada 10 famílias tiveram uma vítima de furto, assalto ou agressão. Já na região Sul, 3,1 a cada 10 famílias tiveram vítima dessas manifestações de violência.
O Sul se situa como região onde a população tem a menor percepção de insegurança, uma vez que menos habitantes vivenciaram violência e mudaram hábitos. As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, possuem proporção maior de habitantes que por motivos dos crimes, mudaram hábitos.
A sociedade atual, sofrida e marcada pela negligência da oferta de serviços básicos, ainda é obrigada a conviver em permanente estado de alerta. Esse estado de alerta é em função da violência que tem demonstrado como está mudando a vida das pessoas.
O filósofo Manfredo Oliveira, em texto recente, apresenta um panorama da condição social hodierna: “A normatividade ética, individual e social, constitui a condição irrecusável para que a sociedade possa lutar contra seus males evidentes: a violência contra a pessoa e a vida, contra a família, o tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais”.
Vale ressaltar que já nesse panorama que retrata diversificadas manifestações de violência, se observa uma importante proposta: a normatividade ética. Um mundo sem ética é um mundo em crise. A normatividade ética emerge no sentido de guiar individual e socialmente o caminho do ser humano.
Que normatividade é essa? É a conduta que reconhece limite e que requer esclarecimento na práxis humana. Noutros termos, a representação de uma ação pautada no resgate de sentido e de valores constituintes do ser humano.
Desse modo, no diagnóstico se encontra a proposta de reverter a situação. O remédio para uma doença só pode ser consumido, ao menos dentro da regularidade, após saber do que se trata.

Na situação de barbárie evidente, de guerra interna, para onde se caminha? Afirma o filósofo que “Não tem futuro uma sociedade em que se dissolve a verdadeira fraternidade”. Isso significa dizer que é necessária a realização da enorme tarefa de estabelecer urgentemente uma sociedade menos doente, menos violenta, mais fraterna e mais humana.
A condição de possibilidade de superação dessa grave situação que é constante precisa encontrar apoio num aparato governamental que dialogue com mudanças profundas na visualização de um tempo diferente, mas infelizmente não é o que acontece e parece que não há interesse nessa empreitada.

Felipe Augusto Ferreira Feijão
Estudante

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Capa do jornal OEstado Ce