domingo, 4 de junho de 2017

Prestando serviço

Ar do carro pode ficar melhor em apenas 15 minutos; veja como

Quando a servidora pública Helena Romeu, 27, dá carona em seu Fiat 500, prefere nem tocar no botão do ar-condicionado. É que um cheiro nada agradável sai dos dutos e invade a cabine quando o acessório é acionado, frio ou quente. "É um constrangimento enorme", diz ela.
O odor é sinal da proliferação de fungos e bactérias, que podem causar coriza, febre, tosse e outros sintomas.
Para se livrar do mau cheiro e consequentemente dos inimigos invisíveis, a higienização ajuda e vai bem além de colocar um "cheirinho agradável" dentro do carro.
É preciso usar bactericida próprio para ar-condicionado automotivo. A aplicação é simples, pouco custosa e pode ser feita em cerca de 15 minutos (veja ao lado).
Foi o que resolveu o mau cheiro no Volkswagen Jetta do músico Gel Fernandes, 61. Ele conviveu com o odor desagradável por muito tempo e chegou a levar o sedã a um especialista, que sugeriu a abertura do painel para a retirada de um possível animal morto. "Um amigo falou da lata de bactericida, que resolveu até agora. É só fazer de tempos em tempos", conta.
Para cortar o problema pela raiz, segundo o engenheiro e integrante da comissão técnica da SAE Brasil Ricardo Takahira, a verificação e eventual troca do filtro de ar de cabine deve estar atrelada à higienização.
A função do componente é reter partículas e absorver odores e gases que entram para a cabine do automóvel. Quando não substituído, o filtro pode acumular mais resíduos do que suporta e até mesmo mofar e apodrecer.
O carro de Helena, comprado em 2012, passou por revisões na concessionária autorizada, com higienização no sistema de ar. Mas não houve a troca do filtro de ar de cabine (antipólen). "E eu nem sabia que existia", diz.
"A periodicidade da troca vai depender do uso do automóvel. Não há quilometragem prevista, mas o motorista deve entender que, se roda em uma cidade grande e poluída, a vida útil da peça é menor", explica Takahira.
Especialistas orientam que o equipamento deve ser acionado ao menos uma vez por semana. Outra dica é desligar o ar-condicionado alguns minutos antes de parar o carro, para dar tempo de haver secagem natural dos dutos antes de o veículo ficar completamente fechado.
POLUIÇÃO
A troca do filtro de cabine já foi considerada por muita gente como gasto desnecessário ou até luxo. Mas a qualidade do ar no carro virou questão de saúde.
Estudo divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2016 mostra que a poluição é o principal causador de problemas de saúde no mundo, levando 3 milhões de pessoas à morte por ano em todo o planeta.
O médico e presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Eduardo Servolo de Medeiros, afirma que o ar-condicionado, de modo geral, torna o ambiente interno do automóvel menos saudável, já que resseca as mucosas dos passageiros e aumenta a chance de infecções.
Se o equipamento não tem manutenção adequada, a propagação de micro-organismos nocivos aumenta e pode gerar uma série de complicações respiratórias.
"As chances de quadros de sinusite, rinite e até pneumonia e asma são reais. Passamos por vários processos irritativos quando inalamos essas bactérias. Quem tem a imunidade um pouco pior sofre mais", diz Medeiros.
A Tesla, marca de veículos elétricos e autônomos, criou um sistema de filtragem de resíduos de alta eficiência, capaz de reter elevados níveis de partículas perigosas.

No Brasil, a empresa Mi- cronAir apresentou, em 2016, uma evolução do filtro de ar de cabine comum, que usa carvão ativado. Trata-se de um filtro antialérgico com quatro camadas que promete absorver o mau cheiro e neutralizar partículas alergênicas e poluentes gasosos graças ao seu material, impregnado de ácido de frutas.
A empresa quer começar a vender a peça ainda neste ano. Ela deverá custar cerca de 30% a mais que um filtro de cabine comum, que hoje tem preço a partir de R$ 30.

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