A gestão “vou quebrar sua cara” agora quer exportar pobres


A gestão Doria Jr, através de seu secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, o empresário Felipe Sabará, propõe que moradores de rua sejam levados aos estados de origem, num misto entre higienismo e “xenofobia paulistana”.
Doria tem como principais marcas de gestão a publicidade exacerbada e uma escalada de escândalos semanais, que passam de bombas e espancamento de morador de rua até ameaças físicas por parte do Secretário de Cultura.  O mais recente foi a gravação onde fica explícita a ajuda da gestão a uma empresa para uma licitação.
A Ambev, vencedora da licitação do último carnaval paulistano, teve auxílio do secretário de cultura e do vice-prefeito para vencer a concorrência.
Outra marca da gestão são os empresários-secretários. Felipe Sabará, André Sturm e até um representante da Cyrella têm o poder de direcionar verbas públicas e indicar políticas. Em tempos de Lava Jato a desconfiança deveria ser permanente.
Recentemente Doria alardeou a doação de remédios para a população. Depois descobriu-se que a doação, na verdade, foi uma negociata pura e simples. Os empresários receberam isenção de impostos para doar os remédios. Pior, doaram remédios que deveriam ser descartados {{próximos do vencimento}}, processo que custa caro aos empresários e prejudica diretamente a população mais pobre.
A GCM teve oficialmente a permissão de retirar cobertores renovada por Doria – um decreto da gestão Haddad proibia expressamente a retirada de pertences pessoais – e foi flagrada espancando um morador de rua, além de recolher os pertences pessoais. O conjunto da obra foi responsável pela saída da secretária de Direitos Humanos e boa parte de seu staff.
E eis que agora Felipe Sabará, empresário, diz em vídeo e texto em sua página no Facebook {{propaganda é tudo}} que os moradores “que quiserem” terão suas passagens pagas para voltar aos estados de origem. É claro que ele não se refere a você, leitor e leitora deste ImprenÇa, a medida diz respeito a moradores de rua e adictos. Em outros tempos isso seria motivo de escândalo nacional. Em São Paulo, publica-se como se fosse elogio.
Além do higienismo óbvio e dos problemas futuros com os gestores de outros estados e cidades, fica a dúvida sobre quem fará o “convite”: a mesma GCM que espanca e tira cobertores dos moradores de rua?
A falta de vergonha em expor intenções outrora disfarçadas – nem mesmo Kassab admitiu tal intenção, embora fizesse uso da prática – ajuda a criar o clima de higienismo que se espalha pelo país. Gostando ou não, São Paulo é uma grande vitrine para o resto do país. Foi assim em junho de 2013, foi assim nas ciclovias e por que não seria assim com o higienismo?
A recente tortura de um adicto de drogas, cuja testa foi tatuada com dizeres “sou ladrão e vacilão”, é apenas um dos exemplos. Os torturadores afirmaram que ele estava roubando. Depois descobriu-se que não, o rapaz estava alterado pelo uso de drogas e sequer sabia o que estava fazendo, nada havia sido roubado ou quebrado.
A gestão Doria seguirá na base da contra-propaganda e dos escândalos abafados pela grande imprensa – na manhã desta terça-feira, 13 de junho, a Globo mostrava que uma via na periferia tinha mais acidentes que nas marginais, fingindo não saber que o problema das marginais foi criado na gestão Doria, enquanto o outro permanece há anos e, por conclusão, não se mistura alhos com bugalhos. O país, contudo, segue o exemplo dado: “é possível ser higienista sem fantasias”.