segunda-feira, 26 de junho de 2017

Joias com pedra cariri


No Ceará, alunos de design usam pedra da região do Cariri para produzir joias

Colar com pingente de pedra cariri, produzido por Márcia Ferreira
Uma rocha de calcário sedimentar laminado muito usada na construção civil, encontrada em grande quantidade na região do Cariri, no sul do Ceará – a pedra cariri – chamou a atenção de professores e estudantes do curso de Design de Produto da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e o grupo passou a confeccionar bijuterias e joias com o material
O resultado se traduziu em brincos, anéis e pingentes, feitos manualmente com a pedra, em conjunto com prata, latão e outras pedrarias. As peças foram expostas neste mês na mostra Fortaleza Brazil Stone Fair, na capital cearense, que reúne produtores de rochas ornamentais do país, e fizeram sucesso. Os estudantes que participam do projeto conseguiram fazer negócios com a inovação e também receberam amostras de outros minerais, como mármore e granito, para trabalhar novas ideias.
As joias desenvolvidas pelo grupo de estudantes utilizam os rejeitos da pedra cariri, oriundos do processo de mineração nas jazidas e que normalmente são descartados na natureza, podendo gerar impactos como o assoreamento de riachos e a elevação do PH das águas.
“Para os estudantes que estão começando a empreender, esse é um material barato que pode ser beneficiado e vendido por um valor superior. Dependendo do perfil usado, a pedra apresenta umas linhas, que é da forma como ela foi sedimentada. É possível explorar a face da pedra que se deseja usar, pode-se brincar com isso”, disse a professora Ana Videla, coordenadora do curso de Design de Produto e do Laboratório de Joias da UFCA.
A estudante Dayane Araújo, do 8º semestre do curso, abordou essas características no conceito das joias que desenvolveu, que revelam geometrismos. Ela explorou as faces da pedra que mostram o processo de sedimentação, ocorrido no período Cretáceo, há 120 milhões de anos.
Já Márcia Ferreira, do 5º semestre, representou animais e insetos fossilizados. O nome Pedra Cariri também se refere a um dos sítios do Geopark Araripe, que reúne áreas de preservação geológica e paleontológica no sul do Ceará.
Por ser um mineral considerado mole (de média dureza, entre 4 e 5 na escala Mohs), a pedra cariri é de fácil moldagem e lapidação. No entanto, a característica também significa pouca resistência a impactos. Por causa disso, algumas peças receberam detalhes protetores em metais e os integrantes do laboratório estudam técnicas e substâncias para torná-la mais resistente após a lapidação.
“Uma das alternativas é utilizar resina. A pedra suga o material e fica mais resistente. Estamos analisando isso pelo viés da viabilidade financeira, mas creio que  não torne as peças caras, até porque a pedra em si não é cara. A formação do preço seria mais em virtude dos metais e das horas trabalhadas”, diz Dayane.
De acordo com Márcia, o laboratório envolve atividades que vão desde a conceituação e conhecimento das técnicas de fabricação até a ourivesaria, que mantém relação com um trabalho, onde cada peça é única. Por esse fator, o trabalho com Pedra Cariri não tem como fim a produção de joias em grande escala, mas sim estimular a atuação artesanal.
“Temos tem o interesse fortíssimo de comercializar, mas em escala artesanal, e não industrial. São peças feitas uma a uma, não saem todas iguais, têm identidade própria.”
O grupo do laboratório de joias recebeu convite para expor suas peças em uma feira Verona, na Itália, e aguarda confirmação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece).

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