quinta-feira, 25 de maio de 2017

Uma visão europeia do Brasil

"Espero mais estabilidade no Brasil após as eleições do próximo ano"

Entrevista a Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu
De regresso de uma reunião preparatória da cimeira União Europeia-Comunidade de Estados da América Latina e Caraíbas, marcada para outubro em El Salvador, o presidente do Parlamento Europeu explicou que as suspeitas de corrupção que pesam sobre o presidente Michel Temer são "um problema para os juízes resolverem". Numa conversa telefónica com o DN, o italiano Antonio Tajani mostrou-se ainda preocupado com a violência na Venezuela.
A investigação ao presidente Michel Temer por suspeitas de corrupção vai afetar as ligações da UE ao Brasil?
Esse é um problema para os juízes resolverem. Não é tarefa nossa lutar contra a corrupção no Brasil. Para nós o importante é garantir que há estabilidade no Brasil, porque é um dos países mais importantes na América do Sul. Se não houver estabilidade, para nós na União Europeia, é difícil trabalhar bem e ter boas relações com o Brasil. É complicado fazer bons negócios na América do Sul se não houver estabilidade. Depois de muitos anos bons, a situação no Brasil tornou-se muito complicada. Mas espero mais estabilidade a partir do próximo ano, depois das eleições. E nessa altura irei convidar o presidente do Brasil para fazer um discurso no Parlamento Europeu.
As agências de notação ameaçam baixar o rating do Brasil. A corrupção pode trazer problemas à economia brasileira?
Como disse, a corrupção é um problema para os juízes tratarem. Mas nós queremos trabalhar com o Brasil. Quando era comissário europeu da Indústria e do Empreendedorismo trabalhei com o Brasil. Há investimento europeu no Brasil.
Outro motivo de preocupação na América Latina é a Venezuela. A União Europeia pediu o fim da violência contra os manifestantes e prometeu usar "todos os instrumentos ao seu dispor". Que instrumentos são esses?
Temos de fazer um apelo à democracia e contra a violência. Meter manifestantes na prisão não é democracia. Para nós os valores humanos e o reforço da democracia são as nossas prioridades. A situação na Venezuela está muito complicada e muito perigosa. Isto não é democracia. A violência que foi atingida contra os estudantes. Queremos diálogo. Os esforços do senhor [José Luis] Zapatero têm sido muito úteis, há esforços do Vaticano. O Parlamento Europeu aprovou várias resoluções a favor do reforço da democracia, contra a violência usada pelo regime, o regime do senhor Maduro.
Na Colômbia, depois do acordo de paz, a integração dos ex--combatentes das FARC é um grande desafio. A UE pode ajudar nesse processo?
O acordo de paz entre as FARC e o governo da Colômbia é muito importante para a estabilidade naquele país. A Colômbia é um dos países mais importantes na América do Sul, com o Brasil, a Argentina. Mas claro que há este desafio. Nós apoiamos o acordo de paz, apoiamos a estabilidade na Colômbia.

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