quarta-feira, 22 de março de 2017

Coluna do blog

O que a gente ficou sem saber do Pecém
Coincidente ao início do equinócio, a segunda quinzena do mês de março é sempre ansiosamente aguardada por profetas, agricultores e gestores públicos municipais e estaduais de todo o nordeste, de modo muito especial os do Ceará, cujo dia do padroeiro celebra-se justo ao final deste período (dia 19 de março). Por sorte e, claro, por fé e força em São José, as boas chuvas já se registram levemente acima da média histórica, e, aos poucos, milímetro a milímetro, recarregam quase todas as bacias dos grandes mananciais do estado, garantindo assim alguma segurança hídrica para o segundo semestre de 17, até que se consolidem as recargas definitivas dos poços, cacimbões e açudes na próxima quadra chuvosa, no ano de 18. Coincidiu também com as proximidades dos festejos de São José, duas notícias bastante alvissareiras para a economia do Estado do Ceará - sobretudo em tempos das trevas que prenunciam "o fim do mundo", com as assustadoras delações dos dirigentes da tal ODEBRECHT, que ora supuram dentro dos processos comandados pelo sétimo cavaleiro do apocalipse, que, de Curitiba, reluz sua seletiva espada vingadora. Quais sejam, a CONCESSÃO DO AEROPORTO PINTO MARTINS à germânica FRAPORT, administradora de 16 importantes terminais aeroportuários mundo afora, em especial de 2, o de Lima no Peru, hoje maior e mais dinâmico do que o de Guarulhos-SP, que outrora luzia a fama de maior da América do Sul, e o Frankfurt-am-Mein, terceiro maior terminal da Europa, e de largo, um dos mais respeitados do Planeta, dado certamente, entre outros motivos, a decantada precisão e competência dos processos técnicos-financeiros-gerenciais alemães. Desse mato, estou certo, "sairá cachorro". Não demora, e em Fortaleza teremos um baita aeroporto ! A outra notícia, entretanto, vem me pousando uma mosca atrás da orelha. Diretamente ao ponto, trata-se do início das operações consorciadas de gerenciamento do Porto do Pecém com a Autoridade Portuária que administra o Porto de Rotterdam, na Holanda. De cara, devo dizer, não tenho nenhuma dúvida quanto a capacidade dos holandeses. Justo o contrário. É na verdade admirável como um paisinho cujo território é menor que a metade do nosso estado, consegue ter uma economia tão pujante, dinâmica e inovadora. A Holanda, é um puta país ! E aqui não vai qualquer trocadilho as loiras donzelas que se põe as vitrinas da Red Light, de Amsterdam. Não, não mesmo. A Holanda é, por assim dizer, uma pequena Alemanha. Com um histórico menos belicoso e um povo destacadamente mais alegre, vis-à-vis, as turbas laranjas que invadem as arquibancadas dos estádios a cada Mundial de Futebol.
A frase: “Quem viveu da primeira estaca onshore, até a ultima pedra do primeiro enrocamento do porto do Pecém, sabe o que é o Pecém pro Ceará”. Eu, que documentei a construção.

Pois bem (Nota da foto)
Tenho lido e ouvido dos comentaristas econômicos locais, que dentro do processo de assunção ou, melhor dizendo, dentro do programa de compartilhamento da gestão do Porto do Pecém, os batavos "ficarão com 25 % da CEARAPORTOS" (empresa de capital misto controlado pelo estado que é dona do porto), informação pela qual me saltam de imediato algumas indagações.
Pergunta primeira
1 - Porque especificamente os holandeses do Porto de Rotterdam é que vão se consorciar ao Pecém ? Qual foi o processo dessa eleição ?
Pergunta segunda
2 - Para ficar apenas na Europa - e com a mesma exemplar reputação dos holandeses - porque não os alemães de Hamburgo, ou os ingleses de Southampton, ou ainda os catalães de Barcelona, que num processo público e aberto de escolha não deveriam também disputar essa participação na gestão do Pecém ?
Pergunta terceira
3 - Qual foi a dinâmica que apontou Rotterdam ? Não seria melhor, a exemplo do que foi feito com o Aeroporto Pinto Martins, que se estabelecesse um processo internacional de concessão pública, com leilão presidido numa bolsa de valores ?
Os ângulos da visão
Bom, foi justamente dada a coincidência das datas envolvendo os processos de participação de capital privado nas gestões do Pinto Martins e do Pecém, e notadamente da diferença angular das formas como estão sendo feitas, que me despertaram os motivos para tratar desses assuntos aqui na coluna.
Boa-fé
Acredito na boa-fé e na capacidade dos gestores públicos de ambas as instituições, mas também acredito que povo cearense precisa saber, com ampla transparência e claridade, como, afinal, o seu maior ativo patrimonial consolidado arrumou esses sócios. Só isso. "De vraag wordt gelanceerd !", em holandês, "A pergunta está lançada !".

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