quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Tucanaram a seca; agora é inverno modesto

Funceme prevê um inverno mais modesto para trimestre

 
Muito se falou em projeções extremamente otimistas para o período do inverno cearense em 2017. O fenômeno La Niña carregava consigo uma carga considerável de esperança de que as chuvas voltariam a cair com maior intensidade nos 184 municípios do Estado, abastecendo rios, açudes e demais reservatórios. As precipitações logo nos primeiros dias de janeiro até reforçaram as expectativas, porém o prognóstico divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), órgão vinculado à Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), não foi tão animador quanto se esperava.
Em evento realizado no auditório do Palácio da Abolição, na manhã de ontem, o Governo do Ceará revelou ao público as projeções para a quadra chuvosa para os meses de fevereiro, março e abril de 2017, desvendando um cenário que inspira sérios cuidados e uma necessidade na continuidade das ações de segurança hídrica. O ponto positivo retratado na divulgação é que depois de cinco anos de seca, a probabilidade de chuvas dentro da média histórica é de 40%.
Na média
Apresentado pelo presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, o prognóstico trouxe as probabilidades de cada uma das três categorias (abaixo, em torno e acima da média histórica) referentes ao acumulado de precipitações dos próximos meses. No Ceará, há 30% de probabilidade para a categoria abaixo da média, 40% para a categoria em torno da média e 30% para a categoria acima da média.
Com relação aos setores do Estado, no Noroeste a probabilidade para a categoria abaixo da média é de 25%, para a categoria em torno da média é de 35% e para a categoria acima da média é de 40%. Já no Sudeste, as probabilidades apontam 35% para a categoria abaixo da média, 40% para a categoria em torno da média e 25% para a categoria acima da média.
La Niña
Além de revelar que há uma ligeira tendência de chuvas acima da média para o setor noroeste do Estado e, para o setor sudeste, uma tendência de chuvas em torno da média, Sávio explicou que o semestre de 2017 pode colocar 2018 em risco e a causa seria o El Niño. “É uma preocupação forte para termos mais cuidado com a água neste momento de crise no Ceará. Por isso, nós temos que ter cuidado no uso da água. O nosso trabalho a partir de hoje é exatamente colocar o cenário de previsão não só de chuva, mas de vazão que nós já rodamos para a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos, para fazer cenários de alocação”.
Sobre La Niña, que seria a antítese do El Niño (consistindo na diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico Tropical Central e Oriental), o presidente da Funceme alegou que o fenômeno enfraqueceu bastante e as águas, que precisavam estar resfriadas para possivelmente resultar em precipitações no Ceará, estão em um estado de neutralidade.
Ações continuam
Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos do Estado do Ceará, afirmou que, diante do prognóstico anunciado, o estabelecimento de ações emergenciais e estruturantes deve continuar independente das previsões, visto que não há garantias de que haverá melhoras significativas dentro do quadro de seca apresentado no Estado há cinco anos.
“Nós temos nos preocupado estabelecer ações emergenciais no caráter da celeridade para implantação, mas que fossem ações estruturantes. Vamos continuar com a implementação de ações tanto de gestão da oferta e da demanda, como de ampliação da infraestrutura hídrica para buscar novas fontes, e é lógico, acelerar essas ações. O Governo do Estado tem feito todos os esforços para viabilizar essas ações”, disse.
Esforços
Representando o governador Camilo Santana, o secretário Chefe do Gabinete, Élcio Batista, garantiu que todos os esforços possíveis estão sendo feitos para que o Estado não padeça diante da crise hídrica. “O Ceará só está conseguindo enfrentar mais ano de seca, quando muitas pessoas não percebem, porque quando abrem a torneira a água está chegando lá do mesmo jeito que chegava antes, justamente pelo trabalho que se iniciou no final da década de 1980 na constituição do Sistema de Recursos Hídricos. Estamos vendo o quanto ele foi importante, com obras estruturantes, obras de médio prazo, de longo alcance, mas que estão dando conta e funcionando. Se não tivéssemos o Eixão das Águas, talvez hoje Fortaleza estivesse vivendo um período que nem sei dizer como estaríamos enfrentando”, completou Élcio.

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