sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O bicho tá pegando!



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Imperialismo brasileiro será com a droga!

Quantos Méxicos cabem na Amazônia?
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Segundo dados da Polícia Federal, do Ministério Público e do núcleo de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, a atuação de facções criminosas na região Norte está ligada ao controle do fornecimento de cocaína do Peru para o Brasil.
De acordo com o relatório, a facção Família do Norte (FDN) - um dos grupos envolvidos nas degolas de Manaus - aliciou fornecedores peruanos e colombianos para construir seu próprio cartel. O objetivo do grupo, segundo essas informações, seria obter o controle da distribuição da cocaína no Brasil, um negócio avaliado em pelo menos 4,5 bilhões de dólares ao ano.
O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de cocaína no mundo, atrás apenas dos EUA.
"Os resultados obtidos indicam que o Amazonas se configura como o principal corredor do ingresso de cocaína no Brasil, proveniente dos cultivos de coca nas fronteiras Brasil-Peru e Brasil-Colômbia", diz o relatório.
Desde 2010, a FDN vem apliando seu poderio e influência nas rotas do tráfico de drogas e no controle dos presídios do Norte, além de se configurar como principal aliada do Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro.
Apesar da hegemonia da FDN, o tráfico no estado do Amazonas conta com a presença também do CV e do Primeiro Comando da Capital. O PCC, entretanto, detém um controle maior sobre as rotas que abastecem o sul e sudeste do Brasil, via Paraguai.
MEXICANIZAÇÃO - A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas alerta para um novo risco: a transferência das áreas de cultivo dos arbustos de coca de território peruano para o Brasil.
Apesar de constantes operações de órgãos de segurança brasileiros e peruanos, o relatório afirma a existência de "diversas áreas ocupadas com cultivo de coca na Amazônia" - especialmente na região do Rio Javari, na fronteira entre Brasil e Peru - e "a grande quantidade de laboratórios destinados a transformação das folhas de coca em pasta base de cocaína". Além disso, as mesmas fontes também citam o emprego de índios Ticuna no cultivo da coca.
A Polícia Federal e o MPF estudam também a existência de uma nova rota de tráfico entre a região de fronteira e Fortaleza. Através de pequenos barcos e aviões, a pasta base de cocaína seria enviada até a capital cearense e, de lá, distribuída aos EUA, Europa, Ásia e África por via marítima.
Existe ainda a possibilidade de a FDN e o CV obterem, em pouquíssimo tempo, o controle da maior parte do tráfico de cocaína na América do Sul. As facções mantinham, segundo o Ministério Público Federal, estreitas relações com as FARC, da Colômbia. Apesar dos recentes acordos de paz entre as FARC e o governo colombiano, que podem pôr fim a mais de 50 anos de conflito, a FDN e o CV continuam em contato com um grupo dissidente, a "Frente Primeira", que se recusou a aceitar os termos de desarmamento.
"Há forte relação comercial da guerrilha com traficantes brasileiros e até autoridades, em troca de dinheiro e drogas.Não se pode negar, é muito possível que esse grupo rebelde FDN tenha relação com integrantes dissidentes das FARC", declarou o professor de Ciências Sociais, Alejandro Villanueva Bustos, da Universidade da Colômbia.
"Se não houver uma guinada, estaremos no caminho do México", disse à Folha o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes.

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