segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O adeus ao dr. Mário

Filas nos Jerónimos para prestar homenagem a Soares

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Corpo do antigo presidente está em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos
Dois dias depois da morte de Mário Soares, as cerimónias fúnebres de Estado do antigo Presidente da República iniciam-se hoje com o cortejo que levou o corpo para o Mosteiro dos Jerónimos, onde permanecerá até terça-feira.
Hoje é também o primeiro de três dias de luto nacional decretados pelo Governo.
Acompanhe a última homenagem ao ex-presidente.
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  Jospin, Sarney, Jacques Santer e príncipe de Marrocos no funeral de Soares
Os antigos primeiro-ministro francês Lionel Jospin, presidente do Brasil José Sarney e presidente da Comissão Europeia Jacques Santer, bem como o príncipe marroquino Moulay Rachid, irmão do rei, estarão presentes no funeral de Mário Soares, na terça-feira.
Estes nomes juntam-se às presenças já confirmadas do Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, do vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, do ministro das Relações Externas (Negócios Estrangeiros) e da Cooperação de Espanha, Alfonso Dastis, e do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz. LUSA
  "Sentimento de gratidão enquanto português"
O antigo ministro António Bagão Félix disse hoje que Mário Soares foi o "político português que melhor soube encarar o mais profundo resultado da política" ao ter perdido com "a mesma naturalidade com que muitas vezes venceu".
"Mário Soares foi o político português que melhor soube encarar o mais profundo resultado da política, que é: saber perder é igual a saber ganhar. Ele perdeu com mesma naturalidade com que muitas vezes venceu", recordou Bagão Félix, aos jornalistas.
O centrista Bagão Félix falava aos jornalistas à saída do Mosteiro dos Jerónimos, onde o corpo de Mário Soares está em câmara ardente.
"O principal sentimento com que aqui vim foi um sentimento de gratidão enquanto português", sustentou ao considerar o antigo chefe de Estado Mário Soares como um homem a quem muito se deve do ponto de vista da liberdade e da democracia liberal.
Para o antigo ministro das Finanças, Mário Soares foi "uma pessoa que exerceu política com gosto e com sentido de serviço, mas também com aquilo que é importante num político", nomeadamente um ser humano, que "tem falhas" e "que erra".
"Foi um português da história contemporânea a quem muito devemos, independentemente das diferenças. Eu estava em campos ideológicos diferentes, mas sempre encontrei em Mário soares um exemplo", disse ainda.
São várias as personalidades, desde a política à cultura, que ao longo da tarde se têm deslocado ao Mosteiro dos Jerónimos para prestar a última homenagem a Mário Soares, como foi o caso do maestro António Vitorino de Almeida, que classificou o antigo chefe de Estado como "uma figura da história universal".
"Apesar das suas inúmeras responsabilidades, Mário Soares era um homem extremamente bem divertido e bem-disposto", recordou. LUSA
  Eanes presta homenagem a "coautor relevante" de acontecimentos políticos
O antigo Presidente da República Ramalho Eanes prestou hoje homenagem a Mário Soares, um "coautor relevante" de diferentes acontecimentos políticos de Portugal, recordando que nas questões de interesse comum estiveram juntos ou muito próximos.
"A minha presença aqui é uma presença de homenagem. Homenagem a um homem que na luta política se empenhou e que é um coautor relevante dos mais vastos acontecimentos políticos do Portugal contemporâneo", disse aos jornalistas o antigo chefe de Estado, que acompanhado da mulher, Manuela Eanes, esteve hoje à tarde no Mosteiro dos Jerónimos para participar nas cerimónias fúnebres de Mário Soares.
Apesar de não procurar "apagar os confrontos" que teve com o histórico socialista, Ramalho Eanes considera que este não é o "momento para o referir e nem isso importa agora porque nas grandes questões que tinham a ver com o interesse comum" estiveram "se não juntos, pelo menos muito próximos".
Entre os momentos marcados pela ação de Mário Soares, o antigo chefe de Estado referiu "a transição, a institucionalização e a consolidação da democracia, uma democracia aberta, moderna, pluralista".
"Poderia e deveria referir também a entrada na então Comunidade Económica Europeia. Foi um momento alto, em que optamos por uma via de futuro que trouxe ao país parte da modernidade que o país ostenta e usufrui", recordou.
Ramalho Eanes considerou ainda que Mário Soares "foi um coautor relevante no estabelecimento do Estado Providência, que deu aos portugueses não há igualdade - porque a igualdade infelizmente não existe - mas a igualdade que tornam todos os homens dignos e que lhes garante segurança". LUSA
  Coroas de flores acumulam-se numa das alas do claustro do Mosteiro dos Jerónimos
Coroas de flores acumulam-se numa das alas do claustro do Mosteiro dos Jerónimos, onde está em câmara ardente o corpo de Mário Soares.
Presentes na Sala dos Azulejos estão antigos membros das casas Civil e Militar do ex-presidente da República, entre os quais o sobrinho Alfredo Barroso.
Também presente junto da família Soares está o advogado Vasco Vieira de Almeida.
O ex-chefe da diplomacia Rui Machete foi outra figura a apresentar condolências.
O presidente do FC do Porto, Pinto da Costa, também apresentou condolências a família Soares. Na fila está também o humorista Ricardo Araújo Pereira.
  José Eduardo dos Santos: A sua perda "abre um vazio difícil de preencher"
O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, recordou o antigo chefe de Estado Mário Soares como uma "referência incontornável" da luta pela democracia em Portugal e considerou que a sua morte "abre um vazio difícil de preencher".

José Eduardo dos Santos transmitiu "as mais sentidas condolências por essa perda" numa carta que foi hoje entregue ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo presidente da Assembleia Nacional de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos.

Na carta, a que a agência Lusa teve acesso, o Presidente de Angola afirma que tomou conhecimento da morte de Mário Soares "com profunda consternação" e recorda-o como "figura cimeira da história recente de Portugal e uma referência incontornável na luta pela instauração e consolidação da democracia na pátria de Camões".

José Eduardo dos Santos refere que Mário Soares foi fundador do PS, com "uma vida dedicada inteiramente à defesa dos seus ideais", e "marcou de forma decisiva, como primeiro-ministro e Presidente da República, a vida política portuguesa na segunda metade do século XX".

"Mesmo desligado nos últimos anos da política ativa, o Dr. Mário Soares nunca deixou de intervir de forma apaixonada na discussão dos assuntos mais prementes da atualidade portuguesa e mundial. Em meu nome pessoal e em nome do Governo e do povo angolano gostaria de exprimir a vossa excelência as mais sentidas condolências por essa perda, que abre um vazio difícil de preencher", acrescenta.

O presidente da Assembleia Nacional de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, encontra-se em Portugal para participar nas cerimónias fúnebres de Mário Soares, em representação do Estado angolano. LUSA
  Assunção Cristas nos Jerónimos
Assunção Cristas, presidente do CDS, apresentou condolências a família Soares.
Na fila está também, entre muitos populares, o deputado do partido ecologista Os Verdes José Luís Ferreira.
  Presidente Marcelo Rebelo de Sousa deposita coroa

REUTERS/Antonio Cotrim
  Edmundo Pedro lembra combates "sempre do mesmo lado"
O histórico socialista Edmundo Pedro recordou hoje os combates com o amigo Mário Soares, "sempre do mesmo lado", depois de prestar homenagem ao antigo Presidente da República no Mosteiro dos Jerónimos.
"Estivemos sempre do mesmo lado, sempre do mesmo lado", disse Edmundo Pedro aos jornalistas à saída do Mosteiro dos Jerónimos, onde está em câmara ardente o corpo do antigo primeiro-ministro e Presidente da República Mário Soares, falecido no sábado.
Edmundo Pedro recordou em particular "o combate" travado em conjunto "a seguir ao 25 de Abril, no chamado PREC [Processo Revolucionário em Curso]": "Estivemos sempre ao lado um do outro", repetiu.
Para Edmundo Pedro aquilo que definiu Mário Soares foi "a luta pela liberdade, pela democracia". Lusa
O ex-ministro das Finanças Bagão Félix e o antigo candidato presidencial António Sampaio da Nóvoa juntaram-se à longa fila de cidadãos anónimos que quer prestar uma última homenagem a Mário Soares. Na mesma fila está ainda Jardim Gonçalves.

Gustavo Bom / Global Imagens
  Muitas caras conhecidas esperam para prestar homenagem a Soares
O ex-primeiro-ministro Jose Sócrates é uma das cara conhecidas que está na fila para homenagear Mário Soares.

O padre Vítor Melícias também já apresentou condolências à famílias Soares, após alguns momentos de recolhimento junto à urna do antigo presidente da República.
Também o maestro António Vitorino de Almeida e o general Garcia Leandro, antigo governador de Macau, prestaram homenagem a Mário Soares. Manuel Carlos Freire


ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA
  Prestar última homenagem demora cerca de meia hora
Prestar uma última homenagem ao antigo Presidente da República Mário Soares, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, demora meia hora, com as filas a manterem-se idênticas ao longo da tarde.

Sem queixas nem reclamações, exceto só haver uma entrada (junto do Museu de Arqueologia) para poder depois entrar no mosteiro, centenas de pessoas estão a passar junto da urna com os restos mortais de Mário Soares, em silêncio mas sem outras manifestações de pesar.

Desde o início e até se chegar à entrada do Mosteiro demoram-se 15 minutos, sendo necessários outros 15 para chegar junto da urna, na sala dos Azulejos e ladeada de uma guarda de honra.

Sem grandes conversas enquanto esperam e tendo de passar por um detetor de metais, algumas pessoas trazem consigo ramos de flores, mas que são recolhidas à entrada do Mosteiro do Jerónimos pelos elementos da agência funerária, que depois os colocam nos claustros, onde já estão cerca de duas dezenas de coroas.

Para os que querem apenas escrever no livro de condolências são necessários apenas cerca de 10 minutos em fila. LUSA
O primeiro presidente da República eleito após o 25 de Abril, Ramalho Eanes, chegou aos Jerónimos. O general chegou acompanhado pela mulher, Manuela Eanes.
  Seguro na fila para prestar a última homenagem a Soares
O ex-líder socialista António José Seguro está na longa fila de pessoas que aguardam o momento de prestar a última homenagem a Mário Soares.
  Presidentes do Governo Regional e da Assembleia da Madeira no funeral de Estado
Os presidentes do Governo Regional e da Assembleia Legislativa da Madeira, Miguel Albuquerque e Tranquada Gomes, estarão presentes na terça-feira no funeral de Estado do antigo Presidente da República Mário Soares, anunciaram os respetivos gabinetes. Lusa
O cardeal Patriarca, D.  Manuel Clemente, prestou a última homenagem a Mário Soares.
A líder do BE, Catarina Martins, e o ex-dirigente bloquista João Semedo também apresentaram condolências à família Soares. 
   Francisco Loucã e José Manuel Pureza na fila para apresentar condolências
Acabados de chegar ao Mosteiro dos Jerónimos e na fila para apresentar condolências estão os bloquistas Francisco Loucã e José Manuel Pureza, conselheiro de Estado e vice-presidente da Assembleia da Republica, respetivamente.
Manuel Carlos Freire
  Augusto Santos Silva veio da Índia para funeral
O chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, apresenta condolências a Isabel Soares. O ministro chegou diretamente da Índia, onde estava a acompanhar o chefe do Governo na visita de Estado àquele país.
O momento coincidiu com a mudança da guarda de honra que seis alunos das academias militares prestam em permanência a Mário Soares. Manuel Carlos Freire
O presidente da Fundação Gulbenkian, Artur Santos Silva, o ex-ministro Guilherme d'Oliveira Martins e a antiga secretária de Estado da Cultura Teresa Patrício Gouveia apresentaram condolências à família Soares.

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