sábado, 21 de janeiro de 2017

Bom dia


Avião com Teori Zavascki poderia ter pousado em outro local para fugir do mau tempo

Condições climáticas podem ter sido determinantes para a queda

As condições do tempo podem ter sido determinantes para a queda do avião que matou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki e mais quatro pessoas na quinta-feira (19) em Paraty (RJ).

O aeroporto de Paraty informou que não havia condições de pouso na hora do acidente. O local é gerido por uma associação de empresários, da qual fazia parte o dono do avião e da rede de hotéis Emiliano, Carlos Alberto Filgueiras, que também morreu no desastre.

O aeroporto não tem torre de controle, nem comunicação direta com as aeronaves para comunicar o fechamento. Mas, de acordo com as normas da Agência Nacional de Aviação Civil, isso acontece quando a visibilidade cai abaixo de 300 metros. No momento do acidente a visibilidade era de 100 metros.

“Ele tinha que ter procurado outro aeroporto”, diz Elder Dedine, um dos membros dessa entidade. “O piloto sabe quando está cometendo uma infração; [nesse caso], a gente notifica o comandante e encaminha para a ANAC.”

Antes de decolar, o piloto Osmar Rodrigues - que também morreu no acidente - ligou para o aeroporto de Paraty e recebeu a notícia de que o tempo era bom. Quando se aproximou, porém, a situação já era completamente diferente.

“Estava um tempo muito ruim, tanto que a gente navegando não conseguia nem ver a ilha”, relatou o marinheiro Reginaldo Coutinho.

O bimotor saiu do Campo de Marte em São Paulo por volta da uma da tarde de quinta-feira. Ao chegar em Paraty, o piloto passou pelo aeroporto para fazer o retorno sobre o mar, uma manobra corriqueira para pousar do lado correto da pista.

Segundo testemunhas, foi nessa hora que o avião fez uma curva acentuada e caiu no mar, próximo à Ilha Rasa, a cerca de dois quilômetros de Paraty.

Investigador do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Força Aérea Brasileira), Urley Seixas disse que o bimotor tinha combustível suficiente para pousar em outro aeroporto. “Tinha possibilidade chegar a Guaratinguetá, a uns dez minutos de voo de onde [a aeronave] estava”.

Além da pista curta e de não oferecer condições de pouso por instrumentos, o aeroporto tem outros detalhes que reduzem a margem de manobra quando alguma coisa sai errada, como a serra do mar e uma praça, construída bem no meio do caminho entre o mar e a cabeceira da pista, que diminuem as áreas de escape.

“É importante que a gente tenha aeroportos em condições de receber os aviões em qualquer situação, com instrumentos para permitir uma aproximação de precisão; isso diminui um pouco a carga de trabalho do piloto dentro da cabine numa situação dessa: numa arremetida, num problema após uma arremetida”, afirma Marcus Silva Reis, especialista em aviação civil.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam o acidente e esperam rapidez na apuração para evitar especulações. Os trabalhos também são conduzidos pelo Cenipa. A perícia dos destroços do avião, que ainda não foi içado do mar, vai ajudar a determinar o motivo da queda.

A aeronave não possuía caixa-preta, mas o gravador de voz que registra as conversas do piloto foi resgatado e será fundamental nas investigações.

Como foi o acidente Teori Zavascki - colocar nas matérias sobre o temaReprodução/Metro Jornal

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