segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A melada do dia segundo Trump

Casa Branca diz que estrangeiros com "green card" não deverão ser barrados nos EUA

Do UOL, em São Paulo
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Aeroportos dos EUA têm protestos após Trump barrar imigrantes13 fotos

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29.jan.2016 - Manifestantes protestam contra bloqueio a imigrantes determinado por decreto do presidente Donald Trump no aeroporto internacional de Dallas, no Texas. A nova regra impõe controle por três meses contra viajantes procedentes de Irã, Iraque, Líbia, Somália, Síria e Iêmen VEJA MAIS > Imagem: Morty Ortega/AFP
Contradizendo as recentes medidas adotadas pelo governo americano, o chefe de Gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, afirmou neste domingo (29), que a ordem executiva emitida pelo presidente Donald Trump barrando a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana "não inclui pessoas com o green card", a permissão de moradia e trabalho nos EUA.
A afirmação de Priebus vai contra as ações adotadas pela imigração dos EUA, orientadas pelo Departamento de Segurança Internae do próprio Trump, que afirmou que os EUA necessitam imediatamente de fronteiras mais fortes e restritivas. Desde a noite de sexta, refugiados e passageiros começaram a ser impedidos de entrar no país. Agora, segundo Priebus, essas pessoas não serão mais impedidas de retornar ao território americano.
Em entrevista à rede NBC, o chefe de Gabinete da Casa Branca afirmou que qualquer pessoa que transitar por um dos sete países vetados (Iraque, Síria, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen) passará por um processo maior de investigação e apuração para a entrada no país, incluindo cidadãos americanos.
"Não estamos anulando o Departamento de Segurança Interna, e a medida não afeta os que possuem o green card", disse Priebus. Questionado sobre o motivo pelo qual os cidadãos com o documento estão sendo barrados, o chefe de Gabinete justificou afirmando que "se você está indo e voltando, será submetido a uma investigação adicional".
Questionado se os cidadãos americanos também podem sofrer o impacto desse bloqueio, Priebus respondeu que dependerá da "autoridade discricionária" dos funcionários do governo. "Se for um cidadão que vem e vai à Líbia (um dos países vetados), é provável que o submetam a mais perguntas quando chegar ao aeroporto", explicou.
Ele ainda sugeriu que a ordem executiva de Trump pode incluir mais países no veto, e que os sete países foram escolhidos com base na apuração do Congresso de que são nações envolvidas em terrorismo --não foi feito nenhum comentário sobre o fato de que Trump não possui negócio em nenhum destes lugares ou que países como a Arábia Saudita, de onde eram a maior parte dos terroristas que executaram o 11 de Setembro, não foram vetados.
Priebus também pareceu contradizer um funcionário do governo que disse no sábado que os residentes necessitarão de uma isenção do consulado dos EUA para retornar. Segundo esse funcionário, o processo será desenvolvido caso a caso e essas pessoas deverão passar por uma entrevista no consulado dos EUA antes de saírem de seus países.
O chefe de Gabinete da Casa Branca era presidente do Partido Republicano até a posse de Trump, e atuou durante toda a campanha e a transição de governo como uma ponte entre Trump e a ala do partido que era contra a sua candidatura. Priebus também é próximo do presidente da Câmara, Paul Ryan, com quem Trump não tem boas relações.

Confusão nos aeroportos e na Justiça

Trump causou enorme polêmica, dentro e fora dos Estados Unidos, com a ordem executiva que assinou na sexta-feira passada para combater o terrorismo jihadista.

O decreto suspende tanto a entrada de todos os refugiados durante 120 dias como a concessão durante 90 dias de vistos a sete países de maioria muçulmana com histórico terrorista até que sejam estabelecidos novos mecanismos de vigilância.

Segundo cálculos do site "ProPublica" baseados em dados estatísticos, cerca de 500 mil cidadãos desses sete países receberam um "green card" durante a última década.

O veto provisório provocou caos e indignação no sábado, quando vários viajantes foram barrados ao chegarem aos EUA e geraram protestos em vários aeroportos americanos.
No sábado, a juíza Ann Donnelly, de Brooklyn, em Nova York, ordenou que as autoridades não deportassem refugiados previamente aprovados desses países. Ela decidiu em um processo legal de dois homens iraquianos que foram retidos no aeroporto JFK.
Pelos Estados Unidos, advogados trabalharam a noite inteira para ajudar viajantes presos na confusão dos aeroportos, depois que o presidente republicano decidiu na sexta-feira impedir a imigração de sete países e temporariamente paralisou a entrada de refugiados.
Advogados e procuradores disseram que enviaram petições em mais de 100 casos para viajantes ao redor do país.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos disse, em um comunicado no domingo, que cumprirá as ordens judiciais ao mesmo tempo em que implementará o decreto de Trump "para garantir que aqueles que entram nos Estados Unidos não apresentam ameaças para nosso país e para o povo norte-americano". (Com agências internacionais)

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