terça-feira, 1 de novembro de 2016

PT: mais ala que escola de samba

Bancada do PT diverge sobre oposição a RC

Dois representantes eleitos do Partido dos Trabalhadores (PT) para o próximo mandato na Câmara Municipal de Fortaleza divergem sobre a posicionamento da legenda diante a gestão do prefeito reeleito Roberto Cláudio (PDT). De um lado, Guilherme Sampaio frisa que não há argumentos para modificar atual postura. Do outro, Acrísio Sena chama atenção para o pleito de 2018. Mas, numa coisa os dois concordam: a legenda precisa se reunir para um debate mais amplo e, assim, definir os rumos.
No primeiro mandato de RC, o PT de Fortaleza tirou uma resolução afirmando sua oposição à gestão do Prefeito, entretanto, nos bastidores, já se comenta a possibilidade de abertura de um diálogo com o prefeito reeleito, em função da aproximação com o PDT, na luta contra o “golpe” e do enfrentamento ao bloco conservador liderado, agora, no Ceará, pelos senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB), que se aliaram para apoiar o candidato derrotado à Prefeitura de Fortaleza, Capitão Wagner (PR).
“Por enquanto, os pontos de vistas são individuais, embora não se tenha uma posição oficial. Vislumbrando 2018, creio que PDT e PT precisam redimensionar os rumos” pontuou Acrísio, lembrando que as mesmas forças irão se enfrentar novamente nas próximas eleições e, portanto, a sigla cumpre o papel estratégico na manutenção do governo Camilo Santana. Acrísio defende a mudança do PT diante da gestão Roberto Cláudio. Ele, inclusive, diz ter conversado recentemente com o presidente municipal da sigla e deputado estadual, Elmano de Freitas, que destacou, segundo Acrísio, a necessidade de reunir as instâncias do partido e avaliar o resultado eleitoral e qual perspectiva deve ser seguida futuramente. O encontro, entretanto, ainda não tem data definida.
Já Guilherme Sampaio afirmou que, com a redução das forças de esquerda, o PT precisará de uma “bancada atuante e crítica” e, por isso, “não pode renunciar a esta missão”. Ele defende que a legenda se mantenha na oposição a RC. “Não vejo nenhuma razão para que o PT reavalie esta posição. Acho que o PT tem que qualificar sua intervenção e posicionamento na Câmara. Agora, com uma bancada reduzida”, disse ele.
As palavras de Guilherme se assemelham à postura da deputada federal Luizianne Lins. Luizianne foi candidata à Prefeitura de Fortaleza pelo PT, mas não conseguiu ir para o segundo turno, ficando em terceiro lugar. A petista, porém, tem afirmado esperar que o PT de Fortaleza reafirme o projeto do partido. “Do ponto de vista municipal, eu espero que o PT reafirme nosso projeto, que não é o que está posto e nem o que surgiu como alternativa”.
O PT estadual, contudo, tem parceria com o PDT. O governador Camilo Santana declarou apoio irrestrito à reeleição de Roberto Cláudio desde o primeiro turno, apesar de o partido possuir candidatura própria. O Governador, inclusive, costuma classificar RC como “o melhor prefeito da História de Fortaleza”.
“Tranquilidade”
Mesmo com a possível oposição do PT, Roberto Cláudio terá tranquilidade na Câmara Municipal. Isso porque, dos 43 vereadores eleitos, 32 compõem a base de apoio do pedetista. Inclusive, o PDT elegeu a maior bancada em Fortaleza, com oito parlamentares. As legendas, que fazem parte da coligação de Roberto Cláudio, emplacaram 74% das vagas no Legislativo. Já os partidos que encabeçaram aliança com o deputado estadual Capitão Wagner (PR) elegeu oito vereadores. Em 2012, RC contava com, pelo menos, nove parlamentares na oposição.
Aliado de Wagner, o vereador eleito Soldado Noelio (PR) afirmou que será preciso sabedoria e independência para discutir e ter força para trazer a população para as discussões, lembrando que a Câmara terá de votar não para o prefeito, mas para as melhorias da cidade. O político disse, ainda, que, independente do cenário eleitoral, exercerá sua função com “independência” fiscalizando e propondo projetos que melhorem a vida da população, dentro das promessas realizadas durante sua campanha eleitoral. “Se fizer uma oposição responsável, e é isso que pretendo fazer, vamos trabalhar para realizar os projetos para a cidade”, frisou ele.
Já o atual líder do Governo, vereador Evaldo Lima (PCdoB), aposta na continuidade do diálogo para manutenção da governabilidade. “O prefeito tem uma característica com relação à instituição municipal, que é o tratamento respeitoso e harmônico com a Casa Legislativa. Ao longo dos últimos anos, Roberto Cláudio teve diálogo permanente. Este diálogo, inclusive, ajudou o trabalho da liderança do governo”, frisou o comunista.
“PT tentou ter hegemonia”, afirma ex-ministro Cid Gomes
O ex-governador Cid Gomes (PDT) declarou que um dos motivos para atual rejeição do PT foi a adoção da “tese da hegemonização”. Isso porque os resultados do segundo turno confirmaram o fracasso do PT nas eleições municipais, com direito a derrotas significativas como em Santo André – um de seus berços políticos – e em Recife, única capital onde disputava a prefeitura no último domingo.
Gomes comentou ainda sobre a possibilidade de um apoio petista a uma eventual candidatura presidencial de seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), em 2018. Cid, porém, afirmou que há integrantes do partido com visão crítica a essa ideia. “Penso que há frações no PT que compreendem a importância de oxigenar a estrutura do partido”, frisou ele.

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