segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Do JB

Não adianta mudar só as moscas, elas sempre voltam

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, tem razão. Ele disse, em entrevista ao Estado de S. Paulo, que "vamos ter mais incerteza política". "Na Lava Jato, estão reabrindo delações antigas e chegando muitas delações novas. Pelo o que se diz e pelo que se lê, vão afetar atores políticos da maior importância." De agora e de sempre.
A Lava Jato não pode parar, atinja a quem atingir, do presente recente e do passado!
Armínio Fraga conhece bastante o processo de privatizações, porque atuava como gestor do Fundo Soros na privatização da Vale do Rio Doce, e conhece como ninguém as denúncias que foram feitas. Na mesma época, poucos anos antes, durante o governo de FHC, surgia o escândalo da desvalorização do câmbio. Em março de 1995, o jornal Correio Braziliense publicou longa matéria denunciando o então presidente do Banco Central, Pérsio Arida, de ter supostamente vazado informações privilegiadas sobre o câmbio para especuladores e de manter amizade estreita com o banqueiro Fernão Bracher, ex-presidente do BC, por meio do Banco BBA Credintastalt, por ter passado o final de semana na fazenda de Bracher. O que exigiu de Fernão Bracher um desmentido. "Era impossível termos informação privilegiada", disse em entrevista à Época em setembro de 2009.
Hoje, este mesmo senhor, Pérsio Arida, está no BTG Pactual, envolvido também com problemas relacionados à Lava Jato. A um ano, mais ou menos, da prisão do ex-controlador André Esteves, o banco anunciou na última semana que Roberto Sallouti vai exercer a presidência executiva do banco sozinho, já que Marcelo Kalim, que dividia com ele a função, presidirá o conselho de administração no lugar de Persio Arida, que continua como conselheiro e integrante do grupo de acionistas. Por quanto tempo? Parece querer sair, preocupado com algum problema.
O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga tem razão.
Esses escândalos não têm que parar de serem apurados, seja relacionados ao tempo que for, para que o país entenda que não adianta mudar só as moscas, porque elas sempre voltam.
O país precisa ser passado a limpo. As moscas tem entra elas muitas que são do passado, corruptos ou corruptores, funcionários do governo ou empresários corruptores.
Se os homens implicados no passado em escândalos do passado hoje também estão envolvidos em negócios, é a prova de que resolver só os problemas do presente -- com a certeza de que o país é o exemplo do passado, em corrupção -- não resolve nada, se os que foram implicados continuam comendo o produto do roubo, realizado em qualquer período.
É o mesmo que mandar esses ladrões para casa agora, sem tornozeleira, porque fizeram uma delação premiada, como se eles não estarão de volta daqui a uns 10 ou 15 anos.
Empresas foram privatizadas, alteraram a lei, em alguns casos, para que seus acionistas se privilegiassem mais com o dinheiro do povo, assistidas e acompanhadas pelo governo de todos os tempos, desde as privatizações -- uma delas foi chamada de "telegangue" -- até hoje. Algumas destruíram e delinquiram com a distribuição de dividendos, e não deveriam distribuir dividendos, porque só se distribui dividendos quando há lucro, e os corruptores distribuíram dividendos mesmo sem lucro.
Os governos todos assistiram, os homens do presente que poderiam ser, alguns, do passado, e parece que hoje querem jogar as sujeiras para baixo do tapete, para que todos os verdadeiros corruptos, tanto os que roubaram quanto os que assistiram ou participaram da corrupção, não sejam afastados e também não sejam presos.
O ex-presidente Armínio Fraga tem razão.
As leis não podem mudar para facilitar as vidas dos delinquentes.
Não adianta só a delação premiada, o necessário mesmo é o sequestro de bens, dos corruptos e dos corruptores.
Os que fazem delação premiada são responsáveis pelos sequestros dos bens de todos os 19 milhões de brasileiros desempregados, porque a única coisa que estes desempregados tinham era o emprego, e seus bens foram sequestrados com a destruição do país.
Não significa que somos contra a delação. Somos, sim, contra premiar o corrupto ou o corruptor.
Um passeio no exterior permite recuperar alguns bilhões que estrangeiros do passado não deixavam entrar e hoje, tendo bilhões, permitem, mesmo que esse dinheiro seja produto da corrupção e, em alguns casos, até em operações com esses países.
A única pergunta é: tem ou não tem para pagar a entrada? É pior do que casino, onde só entra quem tem dinheiro e identidade. Nesses países, entra quem tem dinheiro, mesmo com antecedentes criminais, ou com histórico solidário à corrupção.

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