quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Da Fundação Perseu Abramo

Manifestantes invadem a Câmara e pedem intervenção militar

Na tarde da última quarta-feira (16), manifestantes invadiram o Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, pedindo intervenção militar e gritando palavras de ordem como “Viva Sérgio Moro”, “Queremos General” e "Nossa bandeira nunca será vermelha". O grupo de direita, formado por cerca de cinquenta manifestantes, proveniente de dez estados, não admitiu vínculo com nenhum partido ou movimento. Denominam-se integrantes de um grupo chamado Intervencionistas. Segundo os manifestantes, o protesto foi organizado por redes sociais.

Uma das portas de acesso ao plenário da Câmara foi quebrada, a bandeira do Brasil, que fica no plenário, foi retirada e jogada no chão, a transmissão da TV Câmara foi interrompida, os cinegrafistas foram retirados. Houve confronto com a Polícia Legislativa e informações de que alguns manifestantes estavam armados.

Os manifestantes leram uma pauta de cerca de cinquenta itens. Entre as reivindicações apresentadas, destacam-se o fim de "supersalários" de servidores públicos e de aposentadorias com valores elevados; a reforma do ensino, classificado como "carregado de ideologia". Também se posicionaram contra as medidas do pacote de combate à corrupção. Pediram mudança na atuação de deputados federais que “estão implantando o comunismo no Brasil” e alegaram, como um dos principais motivos para a invasão, “a luta contra o comunismo”.

Horas antes, a Assembleia Legislativa, no centro do Rio, foi campo de batalha entre a Polícia Militar do Rio de Janeiro e manifestantes, a maioria deles servidores públicos, no quinto dia de protestos contra o pacote de medidas de austeridade do governo estadual para tentar sanear as contas públicas deficitárias do estado. Depois de mais de um ano de atraso nos salários e precariedade dos serviços públicos, o pacote de medidas pede o aumento da alíquota previdenciária de 11% a 14% e a suspensão de gratificações.

O batalhão de choque da Polícia Militar lançou uma chuva de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e jatos d´água contra os manifestantes, que correram para se dispersar. O protesto chegou a ser cercado pela tropa de choque e ao menos dois integrantes desta se recusaram a prosseguir na ação repressora antes de se juntarem aos manifestantes. Pelo menos um participante do protesto e um jornalista ficaram feridos. Entre os manifestantes também haviam faixas pedindo "intervenção militar já!"

A direita avança, as forças repressivas se fortalecem e a democracia perde espaço no Brasil.

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