segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Gaudencio fala por Wagner.

Capitão nega costura de apoios; vice admite conversas prévias

 Apesar de Capitão Wagner (PR) negar – e criticar – a existência de negociações para definir apoios ao segundo turno, o atual vice-prefeito de Fortaleza e candidato na chapa junto com o republicano, Gaudencio Lucena (PMDB), admite: as costuras começaram a ser feitas antes mesmo de o primeiro turno acabar.

O empresário acompanhava a votação de Wagner no bairro Jóquei Clube, na manhã de ontem, quando revelou que “já iniciamos com alguns (partidos) as conversações para recebermos o apoio deles.” Gaudêncio não citou nomes de quem já teria garantido ficar ao lado do Capitão no confronto direto com o prefeito e candidato à reeleição, Roberto Cláudio (PDT). Avaliou somente ser “natural que os demais candidatos de oposição ao atual Governo permaneçam na coerência da oposição.”
Segundo Lucena, essa teoria seria aplicável inclusive para a ex-prefeita, deputada federal e também candidata, Luizianne Lins (PT), com quem nacionalmente o partido de Gaudencio é rompido, por conta do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Durante toda a campanha, Luizianne teceu duras críticas a Capitão Wagner. Chegou a classificar a candidatura do republicano como “promotora do medo”. “Se formos candidatos no primeiro turno por uma determinada coligação, nós queremos no segundo turno abranger os outros partidos. E esperamos o apoio de todos eles! O PMDB apoia e indicou o vice, mas o prefeito será o Capitão Wagner, que é do PR, é uma pessoa que veio da classe pobre e tem tudo para se identificar com um candidato do PT”, declarou Gaudencio.
Confrontado, Wagner adotou tom cauteloso. “Da minha parte, não houve conversa ainda, mas as assessorias e os grupos ao nosso redor estão conversando. Eu, pessoalmente, só começo as conversações amanhã [hoje]. Por respeito às demais candidaturas, conversar antes seria descredenciar os demais candidatos.”
Momentos antes, o candidato havia rechaçado qualquer possibilidade de as negociações terem sequer iniciado com os adversários sem a Justiça Eleitoral homologar o resultado do primeiro turno. “Outros candidatos têm esperança também, de forma justa, de chegar ao segundo turno. Então, a gente tem que respeitar isso. A partir de amanhã, sim, a gente tenta viabilizar a recepção de propostas dos demais candidatos no nosso Plano de Governo pra que a gente possa ter o apoio deles”, pontuou.
Wagner assentiu, no entanto, que “todo apoio é bem-vindo”. De acordo com ele, porque “a gente não está em hora de segregar a cidade. Temos é que agregar cada vez mais; então, quanto mais gente quiser aderir, mais feliz a gente vai estar. Não podemos escolher apoios.”
Ele disse estar ciente de que o cenário nacional dificulta a chance de um apoio formal de Luizianne à sua candidatura. Mas descartou que a petista não lhe dê reforço devido a questões pessoais ou até por desagrado ao seu Plano de Governo, notadamente destacado pelas propostas à área da segurança pública.
Pesquisas indicavam Luizianne com pelo menos 15% de preferência do eleitorado antes do primeiro turno. Uma fatia considerável, portanto, para o segundo turno. “Ela foi bem dura conosco. Mas a gente respeita, porque não foram críticas pessoais. Foram críticas políticas. Então, nada impede que uma conversa aconteça. Os cenários nacional e estadual dificultam qualquer apoio, mas eu acho que ela tem a força dela. E a independência dela. Acho muito difícil ela votar no Roberto.”
Eunício e Tasso?
Enquanto caminhava rumo à seção 58 do Colégio Lima Nogueira e atendia a inúmeros pedidos de fotos e abraços, Capitão Wagner disse acreditar numa participação mais ativa dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB) à sua campanha no segundo turno.
Tanto o peemedebista quanto o tucano praticamente não participaram do dia a dia da disputa em Fortaleza. Dedicaram-se mais às cidades interioranas. “Nossos apoiadores também têm agenda em Brasília; são senadores atuantes. A gente não teve como exigir que eles estivessem aqui os 45 dias da campanha. Eles não tiveram como no primeiro turno, mas no segundo eu acredito que a presença vai ser mais intensa”, adiantou Wagner.

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