quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Foi pau e muito pau, diria o saudoso Zé Limeira

Trump não diz se aceitará resultado das eleições

No final do terceiro e último debate não houve aperto de mão entre os adversários. Sondagem da CNN dá vitória a Hillary: 52% contra 39%
Donald Trump não quis dizer se irá aceitar o resultado das eleições caso Hillary Clinton saia vencedora. "Vou deixar-vos em suspense", foi a resposta do candidato republicano, declarações que Hillary classificou de "assustadoras".
Este foi talvez o momento mais marcante do debate, apontado por muitos comentadores como um tiro no pé Trump. Chris Wallace, o moderador, chegou mesmo a comentar a frase, referindo "que a transição pacífica de poder é um motivo de orgulho" dos EUA. "No debate de Las Vegas, Hillary atuou como uma mulher quase a conseguir a presidência", escreve Eli Stokols no Politico.
A sondagem da CNN dá a vitória a Hillary Clinton: 52% contra 39%.
De acordo com uma estatística do Politico, Hillary falou 40 minutos, Trump 34 e Wallace 15. Trump interrompeu Wallace 30 vezes e Hillary 37. A candidata democrata foi mais respeitadora, tendo falado por cima de Wallace 17 vezes e apenas cinco por cima de Trump.
Trump começou mais contido do que nos debates anteriores, mas, à medida que o tempo foi avançando, tornou-se mais agressivo, voltando a recorrer à polémica dos emails para chamar "mentirosa" a Hillary. Foi quando Trump começou a ser Trump que Trump começou a perder o confronto.
O primeiro segmento do debate foi dedicado ao Supremo Tribunal de Justiça e a questões relacionadas com o assunto. Trump atacou Hillary por querer acabar com a Segunda Emenda, que garante aos norte-americanos o direito à posse de armas. Hillary garantiu que defende a Segunda Emenda, mas que "é preciso mais regulação", uma vez que "há 33 mil pessoas que morrem todos os anos por crimes com armas de fogo". Trump replicou dizendo que Chicago tem as leis mais restritivas e que, mesmo assim, é das cidades com maior número de crimes.
Em relação ao aborto também ficou clara a diferença entre os dois candidatos. Trump contra. Hillary pró-escolha. "Com base no que ela defende é possível arrancar um bebé do útero aos nove meses de gravidez. Isso não é aceitável", atacou Trump. "Esse tipo de retórica do medo é muito infeliz", respondeu a democrata.
A imigração foi o segundo tema e ficaram bastante nítidas as diferenças entre os candidatos. Trump frisou que quer reforçar as fronteiras. "Sim, vou construir um muro. Precisamos de um muro, precisamos de parar com o tráfico de drogas. Vou expulsar os traficantes".
Neste ponto Hillary desferiu um golpe no seu adversário tentanto provocá-lo. A democrata referiu que Trump não teve coragem de falar no muro quando se encontrou há dois meses com o presidente mexicano e que se "engasgou". O republicano disse que o encontrou com Peña Nieto foi "muito agradável".
"Somos uma nação de imigrantes e de leis. Sou a favor do controlo nas fronteiras, mas não quero destruir famílias separando-as. Não quero a força de deportação que o Donald pretende. Trump construiu a Trump Tower com imigrantes ilegais. Não quero que pessoas como Donald continuem a explorar trabalhadores", afirmou Hillary.
Vladimir Putin e fantoches
O presidente russo surgiu no debate depois de Wallace questionar Hillary sobre um discurso, num encontro privado com uma instituição financeira brasileira tornado público pelo Wikileaks, em que a candidata democrata terá dito que queria fronteiras abertas. Hillary aproveitou para dar a volta à questão, sublinhando que o importante era saber a razão pela qual a Wikileaks, "ajudada por hackers russos", estava a querer influenciar as eleições norte-americanas. Para a democrata a razão é simples: Putin "quer ter um fantoche como presidente dos EUA". Trump retorquiu - "fantoche é você" - sublinhando que ele seria sempre muito mais respeitado do que a democrata.
Os alegados abusos sexuais de Trump contra mulheres também estiveram em cima da mesa. O candidato negou todas as acusações. "É completamente falso. Nem sequer pedi desculpa à minha mulher porque nem sequer conheço essas pessoas". Hillary contra-atacou: "O Donald pensa que humilhar as mulheres é algo que o engrandece". Trump defendeu-se dizendo que ninguém tem mais respeito pelas mulheres do que ele.
No que à economia diz respeito as diferenças também ficaram claras. Trump quer reduzir os impostos e Hillary quer aumentá-los para as classes mais altas. O republicano disse que consigo o PIB passará a crescer pelo menos 4% ao ano, mas não especificou com que medidas pretende atingir esse objetivo.
"Com apenas 20 dias até às eleições, o debate não foi uma discussão entre iguais, mas uma desesperada tentativa de recuperar terreno por parte de um candidato que está em queda", escrevem Patrick Healy e Jonathan Martin do The New York Times.
Outubro revelou-se, pelo menos até ao momento, um mês fatídico para Donald Trump. De acordo com a média das sondagens nacionais partilhada também pelo The New York Times, Hillary tem uma vantagem de seis pontos, 46% contra 40%.
Segundo o mesmo jornal norte-americano, a probabilidade de uma vitória de Hillary Clinton é de 92% quando a 27 de setembro era de 70% e a 1 de junho não ultrapassava os 58%.
De acordo com o Predict Wise, que baseia as estimativas nas casas de apostas, antes do debate a probabilidade Hillary vencer as eleições era de 90%. Depois do debate aumentou para 91%.

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