terça-feira, 11 de outubro de 2016

Bilhete do Francis Vale

Macário,

Como leitor assíduo dos teus escritos blogueiros, tenho quase sempre algo a comentar, mas me poupo de assuntos mais complicados.
Esse assunto da "farra do boi", por exemplo. Em princípio, sou contra. Aceito que se mate o boi pra comer. E entendo que a vaquejada faz parte de uma tradição secular. Sabe-se que o boi foi o grande herói da colonização do Ceará pelos portugueses, a partir dos idos do século XVII. O boi era o trator que abria caminho aos que aqui vinham se aventurar nas fazendas a beira rio, em sesmarias concedidas pelo rei de Portugal. Além disso, era a vaca que fornecia o leite e daí a coalhada, a manteiga e o queijo etc. Os dois, depois de mortos, davam a carne e couro, principais produtos de exportação pelos portos de Camocim e Aracati. Sem o boi o Ceará talvez não fosse nem o que é hoje.
Penso que a vaquejada surgiu como forma de treinamento de vaqueiros para pegar os bois "marruás" que se embrenhavam nas matas sem fim. Depois disso, tornou-se um esporte como corrida de cavalos e briga de galo. No entanto, acho que apreciar cavalos correndo é diferente de torcer para que o vaqueiro torça o rabo do boi até arrancá-lo ou vibrar com os galos se matando diante de plateias sádicas e ávidas por ganhar algum trocado com o sofrimento dos bichos.  
Um abraço do
Francis Vale

PS: Essa história de fecharem a Usina de Biodiesel de Quixadá me parece mal contada. As explicações não convencem.

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