segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Wesley Safadão faz de festival sertanejo uma micareta gigante, em São Paulo


Shows do Villa Mix Festival em São Paulo

11.set.2016 - Wesley Safadão se apresenta durante o festival Villa Mix, em São Paulo Imagem: Flavio Florido/UOL
Wesley Safadão recolhe os celulares que os fãs vão atirando sobre o palco com os pés. Com um dos pés, dá um toque no aparelho e o joga em cima do outro pé, com habilidade rara de boleiro. Em seguida, ele o joga para cima e agarra com a mão livre. Faz uma selfie (parece conhecer já intimamente todos os modelos) e devolve para o fã lá embaixo.
Há diversos motivos que explicam a crescente popularidade de Safadão, e as embaixadinhas com celulares são o menor deles. O cearense, uma das maiores atrações da quarta edição do Villa Mix Festival (autodenominado maior festival de música sertaneja do País), colocou 40 mil pessoas para dançar ensandecidas no Allianz Parque, na Barra Funda, na tarde deste domingo. Os outros motivos são uma cascata de convencimento até para os incrédulos profissionais: a banda dele é ótima (de longe a melhor da maratona que colocou oito das mais destacadas atrações do gênero na atualidade); seu arsenal de hits desafia a ginástica binária tradicional do pop sertanejo; ele tem imenso carisma, não é metido e tem uma picardia no ponto certo, sem descambar para o preconceito e a grosseria.
Houve diversos momentos de destaque no show de Safadão, mas certamente a entrada do convidado Nego do Borel, cantando "Não Me Deixe Sozinho", foi o ponto alto. A estridência carioca do funk melody de Nego do Borel casou de um jeito bacana com o arrastão de forró que Safadão vinha comandando.

Flavio Florido/UOL
Safadão é o Genival Lacerda amamentado com açaí
O cearense mostrou uma música nova, "É melhor mexer com o fígado do que com o coração", e elogiou com constância os colegas da música popular, com frases como "Todo relacionamento começa com Jorge e Mateus...", mas sem esquecer de vender o próprio peixe. Depois do ritmo da sofrência, declarou: "Para dar a volta por cima tem que escutar o Safadão".
Sugeriu às garotas que ligassem para seus ex ("Oi, seu miséria, tudo bem?"), para comunicar que, enquanto eles viam futebol na TV, elas estavam se divertindo num show Safadão. É um Genival Lacerda amamentado com açaí. Safadão cantou duas músicas com a bandeira paulista nas costas, que alguém atirou. Ao cantar "Amiga Parceira", pediu que as meninas encarassem a melhor amiga ali ao lado. "Vai olhar pra ela agora e dizer: eu te amo, porra!". Depois, para anarquizar, sugeriu que apontassem a "amiga periguete" e o "amigo corno".
Safadão então convocou "Aquele 1% mais safado do Brasil" e atacou uma sequência que abalou os alicerces do Allianz Parque: "Praieiro", "País Tropical" (Benjor), "Não Quero Dinheiro" (Tim Maia). Virou uma micareta sem fim.

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