terça-feira, 9 de agosto de 2016

Tudo por um "celular"

Hospital Universitário realiza com sucesso primeira cirurgia cardíaca por vídeo

Em mais uma iniciativa inovadora, o Hospital Universitário Walter Cantídio, do complexo hospitalar da Universidade Federal do Ceará, realizou a primeira videocirurgia cardíaca de sua história. A paciente, uma jovem de 21 anos, foi submetida ao procedimento em julho em razão de uma cardiopatia congênita chamada de comunicação interatrial (CIA), uma abertura no septo interatrial, parede muscular que permite a passagem do sangue do átrio esquerdo (cavidade do coração) para o direito. Ela já recebeu alta e passa bem.

Tradicionalmente, a cirurgia cardíaca é realizada por meio de uma grande incisão, de 20 cm a 30 cm de comprimento, dividindo completamente o osso do peito, o esterno, para uma ampla visão por parte do cirurgião. No procedimento por vídeo, a cirurgia passa a ser realizada pelo lado direito, no espaço natural que existe entre as costelas, com incisão de aproximadamente 4 cm a 5 cm e auxílio de uma microcâmera de alta definição.

Quando soube que seria submetida a uma cirurgia inédita no Hospital Universitário, a recepcionista de laboratório Maria Helena Costa Braga, natural de Mombaça, município do interior do Estado, teve medo. "Bateu logo o nervosismo porque cirurgia no coração sempre é delicada. Mas, graças a Deus e à equipe do HU, estou bem. Tem gente que nem acredita que fui operada. A gente se recupera mais rápido", comenta a jovem.

ALTA HOSPITALAR – Foi tudo muito rápido mesmo. Enquanto uma cirurgia cardíaca tradicional pede um período de internação de 30 dias, no procedimento minimamente invasivo realizado em Maria Helena, a alta hospitalar veio na manhã do quarto dia após a videocirurgia. Josué de Castro, cirurgião cardíaco do Hospital Universitário e responsável médico pela intervenção, explica que cirurgias minimamente invasivas como essa feita no HU, filial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), são fundamentais para reduzir o impacto do procedimento na qualidade de vida do paciente.

O cirurgião descreve os motivos que o levaram a mergulhar no universo das cirurgias cardíacas há cerca de 20 anos e a torná-las menos traumáticas e invasivas para pacientes como Maria Helena: "O tamanho da incisão de até 30 cm; o trauma cirúrgico, sendo a divisão óssea realizada com uma serra elétrica; a necessidade de um internamento e uma reabilitação prolongados para a recuperação; a dificuldade de retorno às atividades dos pacientes operados; a atitude de abrir a camisa para mostrar aquela cicatriz, como se tivesse superado algo impossível; tudo isso muito me marcou e me fez pensar em novas possibilidades de intervenção cirúrgica".

NOVOS PROCEDIMENTOS – Tanto Josué de Castro como a equipe multidisciplinar estão confiantes e ansiosos por novos procedimentos dessa natureza. "Serão necessários apoio institucional e definição de um time de profissionais específico para esse tipo de cirurgia", diz, acrescentando que há planos para implantar um centro de cirurgia cardíaca minimamente invasiva no HUWC. Para a videocirurgia de Maria Helena, estiveram envolvidos 11 profissionais, como cirurgiões, anestesiologistas, cardiologistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

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