segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Deu no jornal O Povo


Ciro Gomes acusa Tasso de ter mandado atirar em PMs em 1997

A disputa pela Prefeitura de Fortaleza colocou antigos aliados em rota de colisão. Em entrevista, Ciro Gomes fez os mais duros ataques ao senador Tasso Jereissati, afirmando ainda que o tucano "perdeu qualquer espírito público".


Henrique Araújo henriquearaujo@opovo.com.br
NEHIL HAMILTON/DIVULGACAO
Durante mais de 20 anos, Ciro Gomes e Tasso Jereissati foram fortes aliados. Nesse período, Ciro foi eleito prefeito de Fortaleza e governador do Estado com a ajuda do tucano. Rompimento aconteceu em 2010
Em entrevista à Rádio Tupinambá, de Sobral, na última sexta-feira, 29, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) acusou o senador e ex-governador do Ceará Tasso Jereissati (PSDB) de ter mandado atirar em policiais militares e civis que participavam de greve, em julho de 1997.



“O Tasso, quando era governador (do Ceará), houve um motim na Polícia Militar, e eu estava junto com o Tasso quando ele mandou atirar nos grevistas. Mandou atirar.

O coronel disse assim: ‘Mas, governador, pode morrer gente’. Que morra! Isso foi filmado lá. Houve tiro, gente foi ferida, o diabo”, afirmou Ciro, ex-pupilo do senador por mais de duas décadas, período no qual foi eleito prefeito de Fortaleza e governador do Ceará com a ajuda de Tasso.

QUEIROZ NETO/GOV.CE
Ciro e Tasso em evento do atual governador Camilo Santana (PT)

Em troca de tiros entre a tropa de choque da PM e policiais durante a paralisação da categoria, em 29 de julho daquele ano, cinco pessoas ficaram feridas. Entre elas, o comandante-geral da PM na época, coronel Mauro Benevides, atingido nas costas por disparo.

DIVULGAÇÃO
Foto de 1986, quando Ciro se candidatou a deputado com apoio de Tasso

Mais velho dos irmãos Ferreira Gomes e pré-candidato às eleições presidenciais de 2018, Ciro também falou que o senador tucano, “meu velho amigo, perdeu qualquer espírito público. Acho que ficou magoado com a derrota”.

O pedetista se refere à disputa de 2010, quando Tasso concorreu ao Senado e sofreu o primeiro revés em sua carreira política, após o qual admitiu que deixaria a vida pública para “cuidar dos netos”. No pleito, elegeram-se senadores Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT).


Sobre a aliança entre Tasso, Eunício e o candidato à Prefeitura de Fortaleza Capitão Wagner (PR), oficializado ontem em convenção partidária, Ciro respondeu que se trata de uma “coalizão do ódio. Ódio ao Cid, ódio ao povo”. Além de Wagner na Capital, os irmãos Cid e Ciro travam batalha contra aliados de Tasso e Eunício também em Sobral, berço político da família Ferreira Gomes.

No município, Ivo Gomes (PDT) deve enfrentar Moses Rodrigues (PMDB) e Dr. Guimarães (PSDB), numa das eleições mais acirradas da história da cidade, hoje comandada por Veveu Arruda (PT). O PSDB, porém, ainda não descarta aliança com o PMDB para o pleito.


“Desqualificado”
Na mesma entrevista, Ciro também lamenta que o irmão Cid Gomes, ex-ministro e ex-governador do Estado, não tenha ordenado “reprimir (a greve da PM no Ceará, em 2011), porque devia ter mandado prender esse vagabundo (Capitão Wagner), que é mancomunado com tudo que não presta e vive de explorar o terror”.

Para Ciro, Wagner é “conivente com essas milícias que estão entranhadas na Polícia. E eles se juntaram (Tasso, Eunício e Wagner). Então, qual é o cimento (da aliança)?

O ódio. De ameaçar a cidade (Fortaleza) com um meganha desqualificado”.


Um dos principais nomes da oposição ao pré-candidato à reeleição Roberto Cláudio (PDT) e dono da maior fatia de tempo de TV e rádio na propaganda eleitoral, Capitão Wagner foi uma das lideranças da greve dos policiais militares, que começou em 31 de dezembro de 2011 e durou cinco dias.


O episódio, um dos mais desgastantes da gestão de Cid Gomes, é considerado uma derrota política do então governador, que precisou pedir auxílio à Força Nacional de Segurança.


O POVO tentou entrar em contato com a assessoria do senador Tasso Jereissati para que respondesse às críticas de Ciro, mas não houve retorno. Procurada no final da noite de ontem, a assessoria de Capitão Wagner afirmou que o parlamentar se pronunciará hoje sobre as declarações.

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