domingo, 17 de julho de 2016

Opinião

Temer, o vingativo, e o exercício do ódio

Uma característica tem chamado a atenção sobre o interino Michel Temer: a capacidade de odiar algumas pessoas. As mesquinharias contra Dilma Rousseff, as notas de setoristas do Palácio, mencionando sua ira permanente contra ela, em contraste com a aparência formal, a maneira visceral com que se atirou sobre os blogs e sobre a EBC, denotam mais do que uma fria visão tática.
Um pouco da história inicial de Temer ajudará a lançar luzes sobre sua personalidade.
Recém formado, Temer foi trabalhar em escritório de advocacia, onde fez amizades duradouras. Era tão cuidadoso em relação aos amigos que atrasou a liberação de seu livro sobre o constitucionalismo para não atrapalhar o do colega Celso Bastos. Houve quem enxergasse sinal de insegurança nele, mas os amigos garantem que foi por lealdade. De fato, manteve amizades antigas e leais.
Prestes a se casar, necessitava de uma renda estabilizada. Aceitou, então, emprego em um sindicato de trabalhadores. No trabalho de transferir seus processos, procurou um advogado conhecido, que tinha escritório no mesmo prédio, e pediu para ficar com algumas das ações. O advogado senior esnobou o jovem advogado e o ódio lançou sua flecha preta na alma de Temer.
Tempos depois, teve a oportunidade de enfrentar o advogado em uma ação trabalhista. Foi uma vingança completa. Temer conquistou uma vitória memorável, praticamente “rapelando” a empresa representada pelo colega esnobe.
Esse comportamento repetiu-se com Dilma. O episódio do vazamento da sua carta calou fundo na alma fenícia de Temer. Não adiantaram as explicações do ex-Ministro José Eduardo Cardozo, garantindo que o vazamento não havia partido de lá. Do lado de Temer, a única pessoa que sabia da carta era uma secretária fidelíssima, há cerca de 40 anos trabalhando com ele.
O que calou fundo no interino não foram as críticas: foi o deboche. Em Temer, não existe mais o advogado junior atrás de reconhecimento, mas o político que chegou a presidente interino. Mas a alma ainda é a mesma.

Luiz Nassif é jornalista

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