terça-feira, 31 de maio de 2016

Trump rejeita sentença contra ele porque juiz ‘é mexicano’


O candidato republicano Donald Trump. AP
O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a sentença de um juiz federal contra ele, acusando o magistrado de odiá-lo e especulando que este tenha tomado a decisão por “ser de origem mexicana”. O mais recente episódio polêmico na carreira do empresário está relacionado com a Universidade Trump − que, embora não ofereça aulas há vários anos, pode ser um obstáculo em sua corrida para chegar à Casa Branca.
Apesar das especulações de Trump, o juiz Gonzalo Curiel não é mexicano. Ele nasceu em 1953 em East Chicago (Indiana) e se graduou na escola de direito da Universidade de Indiana em 1979, segundo o registro de juízes federais do Governo norte-americano. Em novembro de 2011, foi nomeado pelo presidente Barack Obama para ocupar seu cargo atual no Distrito Sul da Califórnia.
Curiel determinou na sexta-feira que sejam divulgados os documentos internos da universidade como parte de uma ação coletiva contra a instituição, que oferecia aulas de gestão no setor imobiliário. O jornal The Washington Post aderiu à causa e, depois de solicitar que seja removido o sigilo dos papéis, Curiel lhe deu a razão. O juiz alega que a candidatura de Trump à presidência faz com que o conteúdo do caso seja de interesse público e acusa o candidato de “pôr em dúvida a integridade dos tribunais”.
Os documentos deverão ser publicados até quinta-feira, segundo uma sentença pronunciada no mesmo dia em que Trump voltava a criticar Curiel em um discurso em San Diego. “O juiz deveria estar envergonhado de si mesmo, é uma vergonha que esteja fazendo isso”, declarou. “O que acontece com o juiz é que ele é, acreditamos nós, mexicano. O que é maravilhoso. Sabem de uma coisa? Acho que os mexicanos vão acabar se apaixonando por Donald Trump quando eu der todos esses empregos.”
O magnata transformado em político enfrenta atualmente nos tribunais duas grandes denúncias relacionadas com a Universidade Trump. A primeira é uma ação coletiva na Califórnia, na qual a entidade é acusada de atrair estudantes de seminários para que se matriculem em cursos que custam até 35.000 dólares (126.000 reais), com a promessa de ter aulas ministradas por especialistas escolhidos pessoalmente por Trump.
A outra ação foi movida em 2013 pelo procurador-geral de Nova York, que acusa Trump de enganar mais de 5.000 pessoas por meio de uma universidade que nunca recebeu licença para funcionar como instituição educacional. O procurador pediu uma indenização de 40 milhões de dólares (145 milhões de reais) nesse caso e acusa Trump, dono de 93% da universidade, de ter embolsado mais de 5 milhões de dólares com a alegada fraude.
“Em apenas 90 minutos, especialistas escolhidos pessoalmente compartilharão minhas técnicas, que levei décadas para aprender. Depois, copiem exatamente o que eu fiz e fiquem ricos”, prometia um dos panfletos de Trump, revelados pela revista The Atlantic. Os documentos também contêm instruções dadas aos representantes de vendas da universidade, que deviam conseguir que os alunos de seus seminários − que custavam cerca de 1.500 dólares (quase 5.500 reais) − se matriculassem depois para ter aulas “de elite” no valor de quase 50.000 dólares (cerca de 180.000 reais).
Nas duas ações, os advogados de Trump alegam que para cada estudante que alega ter sido vítima de fraude há dezenas que dizem o contrário. Alegam também que a publicação dos documentos internos sobre o funcionamento da universidade pode prejudicar seus interesses comerciais, embora não sejam aceitos novos alunos enquanto não forem resolvidas as questões judiciais.
Tanto o julgamento da ação coletiva em Nova York como as eleições presidenciais ocorrerão em novembro.

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