E eu que vivi anos bem aí ao lado...

Aleijadinho por Horácio Coppola

As imagens da obra de Aleijadinho, que está completando 200 anos de morte, ganharam o mundo e entraram para o imaginário popular como representações únicas da estética do barroco. O fotógrafo argentino Horacio Coppola (1906-2012) foi um dos que captou essas imagens, em 1945. O conjunto dessa obra estará agora diante dos olhos do público na exposição "Luz, cedro e pedra -- Esculturas de Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola", que abre dia 23 agora no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro.
Com 81 fotografias, a mostra tem curadoria de Luciano Migliaccio, professor do departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da fau/usp. Para Migliaccio, fotografar esculturas é uma questão de pontos de vista, sobretudo quando se trata das esculturas de Aleijadinho, que sempre foram parte de um grandioso teatro religioso.
-- Coppola compreendeu muito bem o caráter decorativo intrínseco à poética do escultor brasileiro -- explica.
Horacio Coppola é considerado um importante  figura central da fotografia latino-americana do século XX. Sua vocação artística manifestou-se já no final da década de 1920, quando presidiu o primeiro cineclube argentino.
Em 1930, Coppola pu­blicou duas fotografias na primeira edição do Evaristo Carriego, de Jorge Luis Borges, e, em 1931, estampou um ensaio fotográfico na revista "Sur". Naquele mesmo período, o fotógrafo fez a primeira de suas viagens de formação, rumo à Europa, de onde retornou com sua primeira câmera Leica. Coppola complementa­ria seus estudos de fotografia com duas outras viagens: em 1932-1933, à Alemanha, quando frequentou os cursos de Walter Peterhans na Bauhaus, e colaborou com as fotó­grafas Ellen Auerbach e Grete Stern; e, em 1934-1935, a Paris e a Londres, onde se casou com Stern.

Foi durante seus anos de formação que surgiu o gosto pela escultura pré-moderna e mesmo arcaica. Esse espírito de redescoberta certamente motivou mais uma de suas viagens, desta feita a Minas Gerais, em 1945, em busca da obra de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), compreendido por Coppola como artista integral, isto é, arquiteto, escultor e “ornamentista sacro”. As referências que podem ter levado Coppola ao artista mineiro naquela época vão de artigos dos poetas Jules Supervielle e Ramón Gómez de la Serna, respectivamente em 1931 e 1944, ao livro do brasileiro Newton Freitas, El Aleijadinho, publicado tam­bém em 1944 na Argentina.

Horacio Coppola voltou para Buenos Aires com um rico acervo de ima­gens que, dez anos mais tarde, expôs nos salões da asso­ciação Amigos del Libro e publicou no livro "Esculturas de Antonio Francisco Lisboa -- O Aleijadinho (Buenos Aires: Ediciones de La Llanura, 1955). Em 2007, mesmo ano em que inaugurou a exposição Horacio Coppola – Visões de Buenos Aires, o Instituto Moreira Salles incorporou a suas coleções 150 dessas imagens.
SERVIÇO
A exposição fica em cartaz até 4 de janeiro de 2015.

Horário: de terça a domingo, das 11h às 20h.
Entrada franca – Classificação livre
Visitas monitoradas para escolas: agendamento pelo telefone (21) 3284-7400.

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

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