quinta-feira, 28 de março de 2013

Cresce o desemprego em Fortaleza


Setor de Serviços reduz 21 mil postos

As informações captadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Fortaleza (PED/RMF), em fevereiro de 2013, mostram que a taxa de desemprego segue a tendência dos últimos três anos, ao registrar a segunda alta do ano.
Com o resultado, a taxa de desemprego total chegou aos 8,5% da População Economicamente Ativa (PEA), e acompanha a elevação de 8,1% de janeiro. O nível ocupacional apresentou retração de -1,4% contra -0,3% de janeiro. O total de ocupados foi estimado em 1,672 milhão de pessoas, 24 mil pessoas a menos em relação ao mês anterior (1,696 milhão).
A pesquisa foi divulgada ontem, na Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), no bairro Joaquim Távora. Ela é realizada mensalmente pelo Governo do Estado, através da STDS, Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), SINE/CE e o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos 13 municípios que compõem a RMF, entrevistando 2,5 mil domicílios.
Entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, o rendimento médio real também apresentou variação negativa de -4% entre os ocupados (R$ 1.038,00) e de -3,5% entre os assalariados (1.087,00), o que coloca Fortaleza Na região que apresentou a maior redução entre as seis capitais pesquisadas e o Distrito Federal.

Para o coordenador de Estudos e Análise de Mercado do IDT, Erle Mesquita, o resultado aponta para um primeiro trimestre realmente desfavorável para o trabalhador, já que há uma diminuição da oferta de vagas nos setores de Serviços e Indústria, “que foram os que demitiram e fecharam oportunidades”, afirmou.
COMPORTAMENTO
Para o mês de referência, a pesquisa revela que a estimativa do número de desempregados subiu para 155 mil pessoas, devido à eliminação de 24 mil ocupações, atenuada pela saída de pessoas da força de trabalho da região (-19 mil ou -1,0%). A taxa de participação - proporção de pessoas com 10 anos e mais incorporadas ao mercado de trabalho, como ocupadas ou desempregadas – diminuiu de 58,5% para 57,8%. O tempo médio de procura por trabalho, despendido pelos desempregados, chegou a 30 semanas, uma a menos em relação ao mês anterior.

Por setor de atividade econômica, foram reduzidos os postos de trabalho no setor de Serviços (-21 mil ou -2,7%) e na Indústria de transformação (-9 mil ou -2,7%), enquanto que foram geradas novas ocupações no Comércio e reparação de veículos (3 mil ou 0,7%) e na Construção Civil (3 mil ou 2,1%) da RMF.
A PED revela, ainda, que, quanto à posição na ocupação, houve redução de -0,5% (-5 mil postos) de empregos assalariados, devido à redução de -10,9% no emprego do setor público (-15 mil postos). No setor privado houve uma ampliação de 0,7% (5 mil) no emprego com carteira assinada e de 2,7% (5 mil) entre os sem carteira. Por outro lado, o número de autônomos recuou -3,8% (-17 mil), bem como os empregados domésticos (-2,6% ou -3 mil), sendo que, no agregado demais posições, foi registrado a alta de 1,1% (1 mil).
TERCEIRIZAÇÕES ESTÃO NO PÚBLICO E PRIVADO
O analista Erle Mesquita aponta que boa parte da redução do contingente de empregados - motivado, principalmente, pelo setor de Serviços -, está relacionada ao setor público, em que a questão das terceirizações da mão de obra está presente, tanto na iniciativa privada, como no setor público. “Geralmente tem renegociação de contratos, mudanças e, então, há um impacto significativo na redução de oportunidades de trabalho no setor público no início de ano, assim como no mercado de trabalho como um todo”, lembrou.
Ao falar sobre a influência das mudanças de gestões municipais - como demissões de terceirizados -, Mesquita não descarta o peso que essa situação tem, “mas associar isso a uma situação exclusiva dessa mudança, não”, pondera. Segundo ele, isso vem se repetindo, mas acaba sendo um elemento a mais que vem a contribuir, pois há alteração de gestor, renovação.

“Isso sempre ocorre, independente de ter ou não mudança de gestão”, salientou o analista. No geral, ele avalia que Fortaleza teve um comportamento similar a outras regiões metropolitanas, com aumento do desemprego e queda do rendimento médio. “Então, basicamente, isso se reproduziu nas outras grandes capitais. Fortaleza continua tendo a pior renda de R$ 1.038,00 (rendimento médio)”, enfatiza Erle.
Para os próximos meses as estimativas são de continuidade do desemprego. “A gente tem visto que a atividade de geração de postos de trabalho vem perdendo mais intensidade. É possível que no próximo mês haja elevação do nível de desemprego, e a tendência é de que ela continue no primeiro trimestre essa elevação”, prevê o analista.
Conforme Mesquita, provavelmente em abril - se houver uma reversão do quadro -, poderá haver uma cessão da taxa de desemprego. “A pressão do mercado de trabalho ainda deve persistir, o que vai depender muito da dinâmica do mercado – que pode rapidamente mudar -, mas a tendência é que deva haver uma pressão nos indicadores de desemprego ainda”, finalizou.

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