domingo, 28 de outubro de 2012

Pra pensar antes de sair pra votar

O PODER DO SILÊNCIO E DA TOLERÂNCIA

Pensar antes de reagir é uma das ferramentas mais nobres do ser humano nas relações interpessoais.
Nos primeiros trinta segundos de tensão, cometemos os maiores erros de nossa vida, falamos
palavras e temos gestos diante das pessoas que amamos que jamais deveríamos expressar.
Nesse rápido intervalo de tempo, somos controlados pelas zonas de conflitos, impedindo o acesso
de informações que nos subsidiariam a serenidade, a coerência intelectual, o raciocínio critico.
Um médico pode ser muito paciente com as queixas de seus pacientes, mas muitíssimo impaciente
com as reclamações de seus filhos. Ele pensa antes de reagir diante de estranhos, mas não diante
de quem ama. Ele não sabe fazer a oração dos sábios, nos focos de tensão, o silêncio.
Se vivermos debaixo da ditadura da resposta, da necessidade compulsiva de reagir quando
pressionados, cometeremos erros, alguns muito graves. Só o silêncio preserva a sabedoria quando
somos ameaçados, criticados, injustiçados.
Cada vez mais as pessoas estão perdendo o prazer de silenciar, de se interiorizar, refletir, meditar.
O dito popular de contar até dez antes de reagir é imaturo, não funciona. O silêncio não é se aguentar
para não explodir, o silêncio é o respeito pela própria inteligência.
Quem faz a oração dos sábios não é escravo do binômio do bateu-levou. Quem bate no peito e diz que
não leva desaforo pra casa, não pensa nas consequências de seus atos. Quem se orgulha de vomitar
para fora tudo que pensa, machuca quem deveria ser amado.
Não conhece a linguagem do autocontrole.
Decepções fazem parte do cardápio das melhores relações. Nesse cardápio precisamos do Tempero
do Silencio para preparar o Molho da Tolerância. Para conviver com máquinas não precisamos de
silêncio nem da tolerância, mas com seres humanos elas são fundamentais. Ambos são frutos nobres
da arte de pensar antes de reagir. Preservam a saúde psíquica, a consciência, a tranqüilidade. 
O silêncio e a tolerância são o vinho dos fortes, a reação impulsiva é a embriaguês dos fracos.
O silencio e a tolerância são as armas de quem pensa. A reação instintiva é a arma de quem não
pensa.
É muito melhor ser lento no pensar do que rápido em machucar. É preferível conviver com uma pessoa
simples, sem cultura acadêmica, mas tolerante, do que com um ser humano de ilibada cultura saturada
de radicalismo, egocentrismo, estrelismo.
Sabedoria e tolerância não se aprendem nos bancos de Escolas e Universidades, mas no traçado da
existência.
Ninguém é digno de maturidade se não usar suas incoerências para produzi-la.
“Código da Inteligência” (Augusto Cury)

 

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