quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Em meio a tumulto, UFC fixa 12,5% para cotas


SARA OLIVEIRA
saraoliveira@oestadoce.com.br

A Universidade Federal do Ceará (UFC) terá, em 2013, 789 alunos cotistas, obedecendo ao mínimo de 12,5% da Lei de Cotas. O número foi definido, ontem, após a invasão de aproximadamente 200 alunos à reitoria do campus, durante a reunião do Conselho Universitário (Consuni). A porcentagem de 16% chegou a ser discutida, porém, apenas após avaliação, durante o próximo ano letivo, a complementação das cotas, de 50%, reivindicação do grupo de estudantes, poderá ser cumprida.
Os alunos chegaram ao campus por volta das 9h e aguardavam o resultado da reunião, que decidiria o percentual de estudantes inseridos às cotas. Cinco representantes da movimentação chegaram a participar do encontro, que contava ainda com a presença de 33 diretores acadêmicos e oito representantes estudantis. Em seguida, teve início a invasão do prédio, que resultou em portas, lixeiros e vidros quebrados, telefone furtado, obra de arte danificada e susto para os servidores. “Em função disso, após a reunião do Conselho, eu recebi um documento assinado por 27 conselheiros, solicitando que o reitor tomasse uma decisão aprovando o percentual de 12,5%”, afirmou o reitor da UFC, Jesualdo Farias.
A Polícia Federal já está em posse de imagens que identificam os depredadores e deverá analisar os prejuízos causados. A ação, que tinha como objetivo exigir que 50% das 6.308 vagas no processo seletivo de 2013 fossem destinadas às cotas (estudantes pobres e autodeclarados negros, índios e pardos), foi realizada também por lideranças estudantis da Universidade e de professores do Ensino Médio.

80% DAS COTAS PARA POBRES
“Estamos tratando de uma questão que, infelizmente, veio em forma de lei, ferindo, inclusive, a autonomia da universidade. Estamos até com dificuldades, porque quero que, dos cotistas, 80% [632 alunos] sejam pobres, porque é mais justo”, opinou Jesualdo Farias. O Sistema de Seleção Unificada (Sisu), entretanto, só permite que 50% de todos os cotistas sejam inseridos pelo parâmetro pobreza (1,5 salário mínimo).
Assistência estudantil, acompanhamento psicossocial, espaço estrutural para estudos e acompanhamento pedagógico serão, segundo Jesualdo, os setores de maior impacto com o cumprimento da Lei. A mudança exigirá mais recursos e, embora o orçamento previsto para 2013 seja maior do que o deste ano, de R$ 110 milhões, o reitor da UFC destacou que o acréscimo supre as novas 470 vagas que serão oferecidas.
“A UFC é o terceiro maior orçamento de assistência estudantil do Brasil, e gastamos mais do que recebemos. Começaremos com o mínimo das cotas, e se tiver sustentabilidade, complementaremos o que falta para 50% em 2013”, frisou Jesualdo. O valor exato do gasto adicional com a aplicação da Lei ainda não foi determinado, dependerá das condições de cada aluno, porém, o reitor cogitou que o impacto financeiro será entre 25% a 30%.
De acordo com o diretor de comunicação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFC e vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (Une), Ivo Braga, o que aconteceu, ontem, foi um “excesso”. “Foi lamentável, mas a opinião pública tem de entender que é uma luta justa, porém, algumas pessoas aproveitam para exagerar”, afirmou. A equipe do jornal O Estado tentou entrar em contato com a professora Kelma Cristina, que faz parte do Sindicato dos Servidores Públicos de Educação do Ceará (Apeoc), porém, as ligações não foram atendidas.
PROCESSO PEDAGÓGICO
O processo pedagógico dos alunos cotistas, para o reitor, deverá ser repensado, reforçado pelo fato de escolas públicas não repassarem os mesmos conteúdos de escolas particulares. A inconsistência de conteúdo prejudicaria, principalmente, cursos como Engenharia e Medicina. “Isso já vem sendo pensado e trabalhado. Não queremos trazer para a Universidade nenhum grupo que fique excluído por qualquer que seja a razão. Nós temos cursos que 80% dos alunos são de escola pública, em alguns cursos as cotas não vão impactar em nada, em outros, sim, principalmente nos de maior demanda”, concluiu Jesualdo.

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