O mundo é gay. Joinville, aparentemente, não



O candidato à Prefeitura de Joinville (SC) Leonel Camasão (PSOL), que exibiu no início da semana, na propaganda eleitoral gratuita, um clipe em que dois homens aparecem se beijando na boca, viu sua candidatura e seu programa de TV tornarem-se nacionalmente conhecidos depois que o “Jornal da Cidade”, periódico semanal local, publicou críticas veementes contra a cena, definida como “asquerosa” por um de seus colunistas.
As críticas foram consideradas homofóbicas pelo Ministério Público de Santa Catarina, que move uma ação contra o autor e contra o jornal. A polêmica virou notícia em canais de TV, jornais e sites de notícias em todo o país.
Para Camasão, porém, toda a exposição que sua candidatura vem recebendo com o caso não refletiu ou irá refletir em ganhos eleitorais para a sua candidatura. Em pesquisas realizadas por institutos locais, Camasão aparece com 2% das intenções de voto. O empresário Udo Dohler (PMDB) lidera as pesquisas, com 25%.
“Joinville ainda é uma cidade muito conservadora. Defender a diversidade sexual e o fim da homofobia gera tanto simpatias quanto antipatias por aqui”, afirma Camasão, que não é gay, é casado e tem uma filha de dez meses.
Apesar disso, o candidato afirmou estar satisfeito com a repercussão do assunto. “Não gera votos, mas gera debate. A luta contra a homofobia é uma das bandeiras do nosso partido, e queremos que a sociedade discuta o assunto.”
O clipe exibido por Camasão não é novo. Ele já fora utilizado na campanha presidencial de Plínio de Arruda Sampaio em 2010. A cena do beijo gay dura pouco menos de dois segundos.
Ação na Justiça
A Promotoria de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério Público de Santa Catarina ajuizou, na última quinta-feira (6), uma ação civil pública contra o “Jornal da Cidade” e contra o comunicador João Francisco da Silva, ambos de Joinville.
A ação, proposta pela promotora Simone Cristina Schultz, pede a retirada imediata de circulação da edição número 50 do Jornal da Cidade, tanto em meio físico quanto na internet, por conta das críticas publicadas contra a veiculação da cena do beijo gay na propaganda do PSOL. As críticas foram consideradas pela promotora como ofensivas à população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).
O documento solicita ainda a aplicação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão; a veiculação de programas de direitos humanos produzidos e/ou indicados pelo MP em conjunto com associações representativas dos LGBTs; indenização de 300 salários mínimos por dano moral coletivo, a serem destinados a fundos de promoção da cidadania LGBT; e, finalmente, a obrigatoriedade de publicação da sentença condenatória em cinco edições seguidas do periódico. Todos esses pedidos serão analisados pela Justiça.

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