domingo, 8 de janeiro de 2012

A prodigalidade do tempo


O ano de 1912 pariu alguns brasileiros ilustres

Adoniran Barbosa — O “pai do samba paulista” nasceu João Rubinato (1912-1982), em Valinhos, SP. Foi ator, humorista, cantor e compositor. Com seu, digamos, “dialeto paulistano-italianês” único, doou à MPB clássicos como “Saudosa maloca”, “Trem das onze” e “Tiro ao Álvaro”. Representava no rádio vários personagens — um deles, Adoniran Barbosa, que o imortalizou.
Domingos da Guia — Revelado pelo querido Bangu, Domingos Antônio da Guia (1912-2000) foi um dos maiores zagueiros do Flamengo e da seleção, pela qual jogou a Copa de 1938, na França (deu Itália, ficamos em 3°). Sobre ele, disse o uruguaio Obdúlio Varela, um dos carrascos da Copa de 1950: “Foi o maior de todos.”
Evandro Lins e Silva — Piauiense de Parnaíba, Evandro Cavalcanti Lins e Silva (1912-2002) foi procurador-geral da República (1961-1963) e ministro do STF (1963-1969). Fundador do PSB, em 1947, ocupou o posto de chanceler, em 1963, e integrou à ABL. Jurista, criou a expressão “legítima defesa da honra” para defender Doca Street, acusado de matar Ângela Diniz, em 1976.
Herivelto Martins — Cantor, compositor, Herivelto de Oliveira Martins (1912-1992) foi também barbeiro e palhaço de circo. Nascido em Paulo de Frontin, RJ, casou-se três vezes e teve sete filhos (um deles, o cantor Pery Ribeiro, com Dalva de Oliveira). Compôs joias como “Ave-Maria do Morro” (com David Nasser).
Jorge Amado — Nenhum escritor brasileiro de ficção foi tão traduzido quanto o baiano de Itabuna Jorge Leal Amado de Faria (1912-2001). Seus 45 livros estão em 55 países. Autor de clássicos como “Gabriela, cravo e canela” (1958), “Dona Flor e seus dois maridos” (1966) e “Tieta do Agreste” (1977), é nosso escritor mais adaptado para TV. Foi deputado em 1945, pelo PCB.
Luiz Gonzaga — Pernambucano de Exu, Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989) popularizou a música nordestina num tempo em que a maioria dos brasileiros ignorava ritmos como baião, do qual seria “rei”. Compôs belezas como “Asa-branca” e “Assum-preto” (ambas com Humberto Teixeira) e gravou mais de 40 discos.
Mazzaropi — Amácio Mazzaropi (1912-1981), paulista da capital, encarnou o caipira brasileiro, herança da infância em Taubaté, para onde se mudou aos 2 anos. Artista de circo no início, notabilizou-se no cinema em filmes como “Chico Fumaça” (1956), “Jeca Tatu” (1959) e “Tristeza do Jeca” (1961). Mazzaropi morreria sem concluir seu 33° longa, “Maria Tomba Homem”.
Nelson Rodrigues — O genial dramaturgo, escritor e jornalista nasceu em Pernambuco, mas fez do Rio, onde viveu desde os 4 anos, o principal cenário de sua vasta obra. Nelson Falcão Rodrigues (1912-1980) escreveu 17 peças, nove romances, cinco livros de contos e 13 de crônicas. Sua peça “Vestido de noiva” (1941) é considerada o marco inicial do moderno teatro brasileiro.

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