domingo, 1 de janeiro de 2012

Líderes europeus preveem que 2012 será pior do que o ano passado

Os líderes europeus deram boas vindas ao novo ano citando previsões pessimistas e adotando o discurso de que novas medidas de austeridade econômica serão necessárias para conter a crise no continente e, em especial, na zona do euro. As informações são dos jornais GuardianLe Monde eCorriere Della Sera.

A chanceler alemã Angela Merkel, que comandou a União Europeia na condução da crise no ano passado, disse não ter dúvidas de que 2012 será ainda mais difícil do que o ano anterior, e que o continente enfrentará seu teste mais difícil em décadas. Segundo ela, no entanto, depois que tudo passar, o bloco deverá sair “mais fortalecido”.

Merkel pediu maior cooperação entre os países para salvar a moeda comum e que a economia do seu país teve, apesar de tudo, uma boa performance.

O discurso de Merkel, proferido no último sábado (31/12), deu o tom para os demais líderes do continente, especialmente nos países que foram mais afetados pelo estouro da dívida pública e acabaram obrigados a aplicar medidas de austeridade mais duras, para assim obterem resgates financeiros do BCE (Banco Central Europeu) e do FMI (Fundo Monetário Internacional).

O primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, afirmou que não haverá recuo na aplicação das medidas de austeridade, que no país foram traduzidas pelo aumento dos impostos e nos cortes nos gastos e postos públicos. “Nós temos de continuar nossos esforços com determinação para que os sacrifícios que realizamos até agora não sejam em vão”, disse ele, em uma mensagem televisiva ao país.

O economista, que foi levado ao comando do governo para comandar uma coalizão até o primeiro semestre desse ano, insistiu que as medidas são essenciais para que o país continue a receber os aportes financeiros. Ele não apresentou qualquer outra alternativa ao país, nem em realizar uma auditoria independente para calcular o real valor da dívida pública.

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, líder de outro país afetado pela crise, afirmou que os sacrifícios do país realizados até agora foram necessários. “A alternativa é uma só: a recessão, com todas as conseqüências que derivam dela. E quem não estiver convencido disso deveria pensar em assegurar um futuro aos jovens”, afirmou.

"Ninguém, nenhum grupo social poderá hoje evitar nosso compromisso de limpar nossas finanças públicas e de prevenir o colapso financeiro da Itália”, disse Napolitano.

Crise e eleição

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que terá de enfrentar as urnas nesse ano para tentar obter sua reeleição, em abril e maio (em caso de segundo turno), também insistiu no discurso dos sacrifícios e pediu a povo para ser corajoso.

”Essa é uma crise sem precedentes, certamente a pior já enfrentada desde a Segunda Guerra Mundial, e que não está acabada”, disse o líder conservador em seu discurso de fim de ano na TV.

O chefe de Estado disse no entanto que há razões para otimismo e que novos cortes não serão mais realizados. Ele também anunciou que a taxa sobre transações financeiras deverá ser colocada em prática “em breve”.

”Em cinco meses, teremos uma eleição presidencial. Será um momento importante, o momento de vocês fazerem sua escolha. Porém, até lá, eu preciso continuar a agir, porque a história das próximas décadas se escreve agora”, afirmou.

O discurso de Sarkozy foi duramente criticado em editorial do principal jornal do país, o Le Monde. Com o título “Última cartada do presidente”, o artigo diz que a única possibilidade de Sarkozy se manter no poder será através da dramatização, classificando como inimigos da nação todos aqueles que se opuserem a mais um pacote de reformas, que deverão ser formuladas a partir no próximo dia 18 após um encontro com sindicatos e outros grupos sociais.

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